Orçamento de 2027 tira receitas do petróleo da conta do piso da saúde
O projeto do Orçamento de 2027 prevê R$ 272,2 bilhões para saúde e R$ 141,2 bilhões para educação, com mudança no piso da saúde.

O governo enviou ao Congresso, em 31 de agosto de 2026, o projeto do Orçamento de 2027. Segundo a Agência Câmara, o texto prevê R$ 272,2 bilhões para a saúde e R$ 141,2 bilhões para a educação. A conta do piso da saúde também muda no projeto, e essa mudança merece atenção antes da votação.
O documento se chama Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). Ele define quanto o governo pode gastar em 2027 e com quê. Quem analisa o texto primeiro é a Comissão Mista de Orçamento (CMO), formada por deputados e senadores. Depois, a Câmara e o Senado votam juntos, em sessão conjunta.
Quem relata e quando
A CMO foi instalada em 16 de junho. O deputado Domingos Neto (PSD-CE) foi eleito presidente por aclamação. Pela regra de alternância entre as Casas, a relatoria-geral da Lei Orçamentária Anual (LOA) e a relatoria da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) cabem a senadores neste ano, segundo a Agência Senado.
Até esta publicação, não encontramos nome de senador designado para relatar o Orçamento de 2027. Em 20 de outubro, a Rádio Senado informou que a comissão retoma a análise após as eleições, sem citar relator.
Saúde e educação no projeto
O projeto traz valores para as duas áreas. A Agência Câmara listou os montantes da tabela abaixo. O Congresso em Foco, lendo o mesmo projeto, informou R$ 287,87 bilhões para o Ministério da Saúde e R$ 246,32 bilhões para o Ministério da Educação. Não conseguimos confirmar qual recorte é o oficial.
Gastos previstos para saúde e educação em 2027 Em R$ bilhões, no projeto enviado em 31 de agosto de 2026
| Área | Valor previsto |
|---|---|
| Saúde | 272,2 |
| Educação | 141,2 |
Fonte: Agência Câmara (31/08/2026). Elaboração: redação.
A Constituição fixa pisos, ou gastos mínimos, para as duas áreas. A base do piso da saúde é a receita corrente líquida (RCL), que é a receita da União descontadas transferências obrigatórias. O piso da educação usa a receita de impostos. Não encontramos, em documento que conseguimos abrir, o valor do piso da educação para 2027.
A mudança na conta do piso da saúde
A equipe econômica incluiu no projeto quatro gatilhos. São travas que limitam gastos e benefícios conforme o resultado das contas, segundo a Agência Estadão. O primeiro muda o cálculo do piso da saúde: deixa de considerar, na RCL, receitas temporárias ligadas ao petróleo. O governo estima economia de cerca de R$ 7 bilhões em 2027.
Os outros gatilhos do lado da despesa têm estimativas de R$ 2 bilhões, em fundos vinculados, e R$ 9 bilhões, em gastos com pessoal. Os três valores somam R$ 18 bilhões, total citado pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. O quarto gatilho, do lado da receita, veda criar, renovar ou ampliar benefícios tributários quando o ano anterior fecha com déficit. A reportagem não quantifica seu efeito.
O que diz o Ministério do Planejamento e Orçamento: Segundo a Agência Estadão, o ministro Bruno Moretti disse que os gatilhos reduzem as despesas obrigatórias em R$ 18 bilhões em 2027. Não enviamos perguntas ao ministério para esta reportagem; a posição vem da coletiva sobre o PLOA.
O mercado questionou o tamanho do efeito. O economista Felipe Salto, da Warren Investimentos, considerou a queda “muito expressiva em apenas um ano”, segundo a Agência Estadão. Pela conta do governo, as despesas obrigatórias desaceleraram R$ 38,7 bilhões, de 17,5% para 17,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
O que isso significa
O projeto prevê R$ 272,2 bilhões para a saúde e R$ 141,2 bilhões para a educação, mas muda a regra que define o mínimo da saúde. Pelo cálculo do governo, a mudança reduz em cerca de R$ 7 bilhões o gasto obrigatório da área em 2027. Ainda assim, o valor final depende da votação.
A Agência Senado prevê que a LOA seja aprovada até dezembro. A Rádio Senado informou que a discussão deve ser acelerada após o período eleitoral. Se o orçamento não for aprovado até o fim do ano, a LDO traz as regras para a “execução provisória”, que paga despesas obrigatórias ou inadiáveis.
O texto também precisa de ajuste. O Bolsa Família passou de R$ 600 para R$ 691 depois do envio da proposta, e o reajuste exige cerca de R$ 24 bilhões a mais, segundo a Rádio Senado.
Em aberto ficam três pontos: quem será o relator, se a versão final mantém a mudança no piso da saúde e como o Congresso vai cobrir o custo do Bolsa Família.
Como fizemos: Usamos notas da Agência Senado (31/08/2026 e 16/06/2026), da Rádio Senado (31/08/2026 e 20/10/2026), da Agência Câmara (31/08/2026), a reportagem da Agência Estadão publicada no Diário do Comércio (01/09/2026) e o Congresso em Foco, todas acessadas em 24/10/2026. Os valores de saúde e educação são os da Agência Câmara. Somamos os três gatilhos citados (R$ 7 bi, R$ 2 bi e R$ 9 bi) e calculamos a queda de 0,2 ponto percentual do gasto obrigatório sobre o PIB. Não abrimos o texto do PLOA nem o portal da CMO durante a apuração, e não comparamos valores entre anos, por isso não há correção pela inflação.
Fontes
- Executivo envia Orçamento de 2027 ao Congresso com mínimo de R$ 1.741 — Agência Senado
- Comissão de Orçamento elege presidente; relatorias caberão a senadores — Agência Senado
- Congresso Nacional vai iniciar análise do Orçamento de 2027 — Rádio Senado
- Promessas eleitorais exigirão ajustes no Orçamento de 2027 — Rádio Senado
- Orçamento de 2027 tem salário mínimo de R$ 1.741 e redução de despesas com pessoal — Agência Câmara
- Governo atribui desaceleração das despesas obrigatórias a quatro gatilhos — Diário do Comércio (Agência Estadão)
- Confira a íntegra do orçamento de 2027 e veja os principais números — Congresso em Foco
- Imagens de Brasília — Fachada do Palácio do Congresso Nacional — Wikimedia Commons
