Arcabouço fiscal fixa teto de R$ 2,58 trilhões para gastos de 2027

O projeto do Orçamento de 2027 tem teto de R$ 2,58 trilhões para gastos primários. Emendas de parlamentares também entram nesse limite.

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Parlamentar de terno escuro fala ao microfone durante reunião da Comissão Mista de Orçamento, com colegas sentados ao fundo.
Reunião da Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso, em Brasília, em 22 de novembro de 2023, que tratou de emendas ao Orçamento (imagem de arquivo).Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O projeto do Orçamento de 2027 prevê teto de R$ 2,58 trilhões para as despesas primárias da União. O valor exato é R$ 2.576,5 bilhões, segundo a Agência Câmara. O teto nasce da Lei Complementar 200, de 2023, o chamado arcabouço fiscal.

Despesas primárias são os gastos do governo sem os juros da dívida pública. Esta reportagem explica a regra e o que ela muda para as emendas.

Como o teto cresce

O limite de cada ano parte do teto do ano anterior, corrigido pela inflação dos 12 meses até junho. Depois entra o crescimento real, a alta acima da inflação (art. 4º).

O crescimento real é 70% da alta real da receita primária, limitado entre 0,6% e 2,5% ao ano. Se a meta fiscal do ano anterior não for cumprida, a fatia cai para 50% (art. 5º).

No projeto de 2027, segundo a Agência Gov, o reajuste combina inflação de 4,64% e crescimento real de 2,5%, o máximo que a lei permite. O teto sobe R$ 183,8 bilhões, ou 7,7%, em relação a 2026.

A meta e a banda de tolerância

A lei também fixa uma meta de resultado primário. Ela mede a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar juros. Para 2027, a meta é superávit de 0,5% do PIB, ou R$ 73,2 bilhões (Agência Câmara, 31/8/2026).

A banda de tolerância permite errar em 0,25 ponto percentual do PIB, para mais ou para menos. Por isso, um superávit de pelo menos R$ 36,6 bilhões ainda cumpre a meta, segundo a Agência Senado (15/4/2026).

O projeto prevê superávit de R$ 18,6 bilhões sem as deduções legais, como precatórios, e de R$ 83,4 bilhões com elas. Nossa conta mostra que, sem as deduções, o resultado fica abaixo do piso de R$ 36,6 bilhões. A meta depende, portanto, desses abatimentos.

O que fica de fora e o que vale para emendas

Nem todo gasto conta no teto. A lei exclui, entre outras, as transferências constitucionais (como parte dos royalties de petróleo), os créditos extraordinários e certos pagamentos de precatórios (art. 3º, § 2º).

Emendas são verbas que deputados e senadores indicam ao Orçamento. Elas não estão na lista de exclusões, por isso contam para o teto. Desde 2026, a Lei Complementar 210, de 2024, corrige as emendas impositivas pela mesma regra do arcabouço. As demais seguem a inflação (art. 11, § 4º).

Na prática, o total de gastos primários não pode passar do teto. Para incluir uma emenda nova, o Congresso precisa tirar a mesma quantia de outra despesa primária, ou usar espaço que já exista no limite.

Se a meta não for cumprida

Se o resultado de um ano ficar abaixo do piso da banda, a lei proíbe certas medidas até a próxima apuração anual (art. 6º). Entre elas estão criar cargo que aumente despesa, criar despesa obrigatória e dar incentivo tributário.

Desde 2025, a Lei Complementar 211, de 2024, acrescentou outra trava. Após déficit primário, o gasto com pessoal não pode crescer acima de 0,6% da inflação, e novos incentivos tributários ficam proibidos até voltar o superávit (art. 6º-A).

Bloqueio e contingenciamento, os cortes feitos durante o ano, seguem regras próprias e ficam fora deste texto.

O que vem depois

A LDO de 2027, que fixa a meta, ainda não foi votada. Segundo a coluna do SBT News, a votação só deve ocorrer a partir de novembro. A versão final pode alterar a meta, mas o teto segue a Lei Complementar 200 e só muda por outra lei.

Dentro do teto, mais emenda significa menos espaço para as outras despesas primárias. A decisão final cabe ao Congresso, que vota a LOA e a LDO.

O que diz o Ministério da Fazenda: Em nota creditada ao ministério, publicada pela Agência Gov, o governo prevê superávit de R$ 18,6 bilhões sem deduções e de R$ 83,4 bilhões com elas. Não houve contato direto com o ministério para este texto.

Como fizemos: Usamos a Agência Gov (1/9/2026), a Agência Câmara (31/8/2026), a Agência Senado (15/4/2026), a coluna do SBT News (30/6/2026) e os textos da LC 200/2023, da LC 210/2024 e da Emenda Constitucional 109 no Planalto, acessados em 25/10/2026. Nossa conta compara o superávit sem deduções (R$ 18,6 bi) com o piso da banda (R$ 36,6 bi). Não abrimos os textos integrais do PLOA e do PLDO, por isso os valores vêm das agências e podem mudar até a aprovação.

Fontes