Orçamento de 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741

O projeto do Orçamento de 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741. Pelas consultorias do Congresso, cada R$ 1 a mais no mínimo custa R$ 413,2 milhões da União.

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Avenida larga e quase sem trânsito sob céu azul, com as duas torres do Congresso Nacional ao fundo, no horizonte, em Brasília.
Vista do Eixo Monumental, em Brasília, com as torres do Congresso Nacional ao fundo, onde o Orçamento de 2027 será analisado.Foto: Sintegrity / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O governo prevê salário mínimo de R$ 1.741 em 2027. O valor consta do projeto do Orçamento enviado ao Congresso em 31 de agosto. Hoje o mínimo é de R$ 1.621, então o aumento previsto é de R$ 120, ou 7,4%.

O número pesa além de quem recebe o mínimo. Ele também define o piso de benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), como aposentadorias e pensões. Segundo a Agência Brasil, cerca de 45% dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) estão ligados ao piso.

Como o valor é calculado

A regra vem da Lei 14.663, de 2023. Ela tem duas partes. Uma repõe a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses até novembro. A outra dá ganho real igual ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo o que o país produz, de dois anos antes.

Para 2027, a conta usa a variação do PIB de 2025, segundo a Agência Câmara. O texto da lei não traz data para acabar. Reportagens divergem sobre o tamanho do ganho real, entre 2,3% e 2,5%.

Quanto custa cada real

As Consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado estimaram o custo com base no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado em abril. Cada R$ 1 a mais no mínimo somaria R$ 413,2 milhões em despesas primárias da União, segundo o Poder360. Despesas primárias são os gastos do governo que não incluem os juros da dívida.

Para o aumento de R$ 120, a estimativa chega a R$ 49,6 bilhões. Descontada a contribuição extra ao INSS, o impacto líquido fica em R$ 48,6 bilhões. Pelo mesmo cálculo, cada R$ 10 a mais no mínimo custariam cerca de R$ 4,1 bilhões.

O valor ainda não está fechado

O R$ 1.741 é uma projeção. O valor final depende do INPC acumulado até novembro, que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga em dezembro, segundo a Agência Brasil. Em abril, o PLDO previa R$ 1.717. Os R$ 24 de diferença representam cerca de R$ 9,9 bilhões, pela mesma conta.

As reportagens também não concordam sobre a inflação usada. A Agência Senado cita 3,6% de inflação projetada, mas esse número, somado aos 2,46% de PIB, não chega aos 7,4%. Por isso, não publicamos a divisão entre inflação e ganho real.

O que diz o Ministério da Fazenda: Segundo a Agência Brasil, o ministro Dario Durigan anunciou em 24 de agosto que o governo trabalha com R$ 1.741 para o Orçamento. A redação não falou diretamente com o ministério para este texto. A posição vem do anúncio público.

Onde está o projeto

O projeto chegou ao Congresso como PLN 24/2026, no último dia do prazo constitucional. Ele passa primeiro pela Comissão Mista de Orçamento (CMO). Em junho, a comissão elegeu o deputado Domingos Neto (PSD-CE) como presidente. Pelo rodízio, a relatoria-geral cabe a senador em 2026, segundo a Agência Senado. Não encontramos, até agora, relator confirmado nem data de votação.

Enquanto isso, o mínimo de 2027 segue como projeção. O número só fica fechado quando a inflação de novembro for conhecida, em dezembro. Até lá, cada real a mais no piso tem custo de centenas de milhões no Orçamento.

Como fizemos: Usamos a Agência Câmara e a Agência Senado (31/08/2026), o Poder360 (25/08/2026), a Agência Brasil republicada pela CUT (26/08/2026), a Lei 14.663/2023 e a Agência Senado sobre a CMO (16/06/2026), acessados em 25/10/2026. Calculamos a variação de 7,4% (R$ 1.741 sobre R$ 1.621) e os valores de R$ 4,1 bilhões por R$ 10 e R$ 9,9 bilhões por R$ 24. Os custos por real vêm de simulação do PLDO 2027, não do PLOA. Não conseguimos abrir o texto do PLOA nem a nota técnica conjunta das consultorias, então os números vêm das reportagens citadas.

Fontes