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Congresso deve proteger salário mínimo e SUS no Orçamento de 2027

O Congresso que volta após o segundo turno precisa votar o Orçamento de 2027 com salário mínimo, SUS e educação protegidos, e com voto nominal.

Texto de Tribuna: a análise e as conclusões pertencem a quem assina, não necessariamente ao Jornal Vigília.

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Painel do plenário com a lista de parlamentares e o resultado de uma votação nominal do Congresso Nacional, com 361 votos Sim e 33 Não.
Painel com o resultado de uma votação nominal na sessão conjunta do Congresso Nacional, em Brasília, em 13 de março de 2025.Foto: Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O governo propôs salário mínimo de R$ 1.741 para 2027. O valor é R$ 120 acima dos R$ 1.621 de 2026, uma alta de 7,4%. Ele consta do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que fixa os gastos da União no próximo ano.

Este texto defende três pontos. O Congresso deve manter o ganho real do salário mínimo. Deve proteger os pisos da saúde e da educação. E deve votar com registro nominal de cada parlamentar.

O segundo turno da eleição presidencial foi no domingo (25). Agora, o Congresso volta ao tema. “Com o fim das eleições, a Comissão Mista de Orçamento retoma a análise do projeto de orçamento para 2027”, informou a Rádio Senado em 20 de outubro.

O valor final ainda não existe. Ele depende do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro. Segundo a Poder360, a conta soma essa inflação ao crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

Salário que circula na economia

Em janeiro de 2025, o Dieese, departamento de estudos socioeconômicos, estimou que o reajuste daquele ano deveria incrementar R$ 125,4 bilhões na economia brasileira. O piso subiu então para R$ 1.518. A entidade também calculou que cerca de 59,9 milhões de brasileiros têm renda ligada ao piso, direta ou indiretamente.

O reajuste real tem freio. Segundo a Poder360, o aumento acima da inflação fica limitado a 2,5% ao ano. Esse limite segue a regra de crescimento das despesas do arcabouço fiscal, a norma que controla o ritmo dos gastos públicos.

Ou seja, a regra já impõe limite ao reajuste. O debate real é se o mínimo fica dentro dela ou sofre cortes adicionais. Defender o ganho real é defender renda para quem depende do piso, dentro das regras já aprovadas.

O argumento contra, e por que não basta

O argumento contrário tem base real. Segundo a Poder360, cada R$ 1 a mais no mínimo cria R$ 413,2 milhões em despesas primárias. São gastos que não incluem juros da dívida. A estimativa é das Consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado. O aumento de 7,4% custaria R$ 49,6 bilhões a mais à União.

A rigidez do orçamento também preocupa o Senado. Segundo a Rádio Senado, as despesas obrigatórias, definidas por lei ou pela Constituição, já consomem 91,7% do orçamento federal. O consultor Diogo Antunes resumiu: “O principal problema é o crescimento das despesas obrigatórias, que são decorrentes de normas constitucionais ou legais.”

A folga para os pisos também é estreita. Piso é o gasto mínimo que a Constituição obriga a aplicar em cada área. O PLOA prevê R$ 272,2 bilhões para a saúde, “valor equivalente ao piso para a área”. Para a educação, são R$ 141,2 bilhões, acima do piso de R$ 138,8 bilhões, segundo a Agência Gov.

Em abril de 2025, o governo alertou que faltaria dinheiro para cumprir os pisos em 2027. Na projeção do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), anterior à proposta final, faltariam R$ 10,9 bilhões para compromissos constitucionais e com parlamentares, segundo o SBT News.

A resposta tem três partes. Primeiro, o reajuste real já tem teto de 2,5% ao ano. Segundo, o salário é renda que volta à economia, com efeito que o Dieese estimou. Terceiro, os pisos da saúde e da educação são obrigações constitucionais, não favores do governo. Pagar o mínimo com corte nos pisos seria transferir a conta para o SUS e para as escolas.

Por isso o voto deve ser nominal. Votação nominal é aquela em que o voto de cada parlamentar fica registrado em seu nome. O eleitor passa a saber quem defendeu o mínimo, quem defendeu os pisos e quem propôs o corte.

O que diz o governo federal: Em texto da Agência Gov sobre a proposta, o governo informa que o salário mínimo estimado para 2027 é de R$ 1.741. A mesma reportagem registra que a saúde terá valor equivalente ao piso e que a educação ficará acima do seu.

O que fica em aberto

O valor de R$ 1.741 ainda é estimativa. Ele muda com a inflação até novembro, e o Congresso pode alterar o PLOA até aprovar o texto.

A escolha segue em aberto. O Congresso pode manter o ganho real e os pisos, ou pagar a conta com cortes em outras áreas. Qualquer das duas escolhas deve aparecer com nome e voto, diante de quem paga a conta.

Como fizemos: Usamos a Agência Senado (31/08/2026), a Poder360 (31/08/2026), a Agência Gov (01/09/2026), a Rádio Senado (20/10/2026), o SBT News (16/04/2025) e o Dieese, citado pelo O Povo (03/01/2025), todos acessados em 25/10/2026. O aumento de 7,4% é nosso cálculo: R$ 120 sobre R$ 1.621. Os valores de 2027 são projeções do PLOA e podem mudar até a votação. A estimativa de R$ 413,2 milhões por real vem da reportagem da Poder360; não conferimos o documento original das Consultorias.

Fontes