Copom não se reúne em outubro; Selic segue em 13,75% ao ano
O Copom não se reúne em 27 e 28 de outubro. A Selic está em 13,75%, e o Orçamento de 2027 prevê R$ 826,2 bilhões em juros da dívida.

Na terça-feira (27), o Banco Central não decide os juros. O Comitê de Política Monetária (Copom), que fixa a taxa básica de juros, não tem reunião marcada para 27 e 28 de outubro. O calendário de 2026 prevê a próxima decisão para 3 e 4 de novembro.
A taxa básica de juros é a Selic. Ela serve de referência para o crédito e para a parte da dívida pública que acompanha os juros do dia a dia. Quando ela sobe, essa parte da dívida fica mais cara.
A Selic está em 13,75% ao ano
Em 16 de setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Ponto percentual é a unidade usada para variações de taxa. A decisão foi unânime, segundo a Connect Week, que resumiu o comunicado do Banco Central.
Quanto da dívida acompanha a Selic
A dívida pública federal, que o Tesouro Nacional emite para financiar o governo, somava R$ 9,268 trilhões em junho de 2026. Desse total, 49,32% estavam em títulos ligados à Selic, segundo o Relatório Mensal da Dívida do Tesouro.
Esses títulos pagam juros que sobem e descem com a taxa básica. Títulos prefixados têm juro combinado na compra. Mas o governo renova sua dívida com novos títulos, que pagam a taxa do momento. Essa renovação se chama rolagem.
Nossa conta é simples. Se 49,32% de R$ 9,268 trilhões ficam presos à Selic, são cerca de R$ 4,57 trilhões. Cada 1 ponto percentual sobre esse valor equivale a cerca de R$ 46 bilhões por ano. É uma ordem de grandeza, não uma projeção oficial.
O que o Orçamento de 2027 prevê
O projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 (PLOA) reserva R$ 826,2 bilhões para juros e encargos da dívida. O valor equivale a 11,1% da despesa total e a 5,6% do PIB, segundo a consultoria de orçamento da Câmara. Esse número inclui todos os juros da dívida, não só os ligados à Selic.
O projeto não deixa claro, nas fontes consultadas, qual taxa Selic o governo usou na conta. As estimativas de mercado divergem. Sem essa premissa, não é possível ligar os R$ 826,2 bilhões a um nível específico de juros.
O que diz o Banco Central: No comunicado de 16 de setembro, o Copom afirmou que a magnitude total do ciclo de cortes será definida à luz de novas informações. Segundo a Connect Week, o texto não indica com clareza o próximo passo.
O que fica em aberto
A próxima decisão sobre a Selic sai em 4 de novembro. Até lá, a taxa segue em 13,75% ao ano. O Orçamento de 2027 ainda precisa passar pelo Congresso, e a conta de juros pode mudar nesse caminho.
Cada corte na Selic reduz o custo da parte da dívida ligada à taxa. O resto da dívida só muda de custo quando os títulos vencem e são renovados. Por isso, o efeito de um corte aparece aos poucos no orçamento.
Como fizemos: Usamos o calendário de reuniões do Copom e a decisão de 16/09/2026, conforme reportagens que citam o comunicado do Banco Central. Também usamos o Relatório Mensal da Dívida do Tesouro de junho de 2026 e a consultoria de orçamento da Câmara sobre o PLOA 2027, acessados em 27/10/2026. Cálculo próprio: 49,32% × R$ 9,268 trilhões ≈ R$ 4,57 trilhões; 1 ponto percentual ≈ R$ 46 bilhões por ano. O cálculo ignora prazos de vencimento e a média anual da taxa, por isso é apenas uma ordem de grandeza. Não conferimos o comunicado, o calendário e o texto do PLN 24/2026 diretamente no site oficial.
Fontes
- Copom reduz Selic para 13,75% ao ano em setembro de 2026 — Connect Week (acesso em 27/10/2026)
- Copom outubro 2026: por que não haverá reunião e o que esperar — Renova Invest (acesso em 27/10/2026)
- Dívida Pública Federal sobe 2,61% em junho de 2026, alcança R$ 9,27 trilhões e amplia peso da Selic — Jornal Grande Bahia (acesso em 27/10/2026)
- RaioX PLOA 2027 — Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados (acesso em 27/10/2026)
- Edifício “Sede” do Banco Central do Brasil em Brasília — Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (acesso em 27/10/2026)
