Dólar a R$ 5,40 e juros em alta chegam ao Orçamento de 2027

O dólar fechou a R$ 5,403 e a Ibovespa caiu 13,88% após a eleição. Veja por quais canais câmbio e juros chegam ao Orçamento de 2027.

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Vista noturna do Congresso Nacional, em Brasília, com os plenários em forma de cúpula iluminados e a torre de gabinetes ao lado
O Congresso Nacional, em Brasília, onde a Lei Orçamentária Anual de 2027 precisa ser votada.Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na segunda-feira (26), o dólar fechou a R$ 5,403, com alta de cerca de 8,2% em um só dia. A Ibovespa, índice das ações mais negociadas da B3, caiu 13,88%, para 176.608 pontos. A B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende os negócios após queda forte. Foi a primeira vez desde a pandemia, segundo a Terra.

O pregão foi o primeiro depois da reeleição de Lula, no domingo (25). O movimento chega ao Orçamento de 2027 por três caminhos: juros, dívida em dólar e petróleo.

Quem decide o Orçamento de 2027

A Lei Orçamentária Anual (LOA) define quanto o governo pode gastar em cada área no ano seguinte. O projeto para 2027, chamado PLOA, prevê dólar médio de R$ 5,22 e Selic média de 12,53% ao ano, segundo a Agência Senado.

Quem vota a LOA é o Congresso Nacional. Antes, a Comissão Mista de Orçamento (CMO), formada por deputados e senadores, analisa o texto. A previsão é de aprovação até dezembro, segundo a Agência Senado. Com o fim da eleição, a CMO retoma o tema, informou a Rádio Senado.

Três caminhos até a conta pública

Juros da dívida. A Selic é a taxa básica de juros do país. Quase metade da dívida pública federal, 49,32% em junho, é indexada a ela, segundo o Tesouro Nacional. A Selic está em 13,75% desde o corte de 16 de setembro, decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O InfoMoney informou que o mercado passou a prever alta da taxa em novembro.

Dívida em dólar. Em junho, só 3,74% da dívida federal estava atrelada ao câmbio, segundo o Tesouro. Nessa parcela, o dólar mais alto encarece a conta de forma direta. O peso maior, porém, continua na Selic.

Petróleo. O preço que serve de base para os royalties é calculado a partir do petróleo Brent, em dólar, e convertido para reais, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Royalties são a compensação paga por quem produz petróleo. Com dólar mais alto, a receita em reais tende a subir, se o barril se mantiver. O PLOA usa US$ 71,03 por barril para 2027, segundo a CNN Brasil.

O que o limite de gastos não muda

O arcabouço fiscal, criado pela Lei Complementar 200/2023, limita as despesas primárias. São os gastos fora dos juros da dívida. O limite é corrigido pelo IPCA, o índice oficial de inflação. Assim, o dólar só pesa nessa conta se elevar a inflação.

Os juros da dívida ficam fora desse limite. Dividendos e receitas de recursos naturais também ficam fora da base que define o crescimento do teto, segundo a lei.

O dólar fechou cerca de 3,5% acima do câmbio médio do projeto, de R$ 5,22. Esse cálculo é nosso. O contrato de juros futuros (DI) com vencimento em janeiro de 2028 fechou em 14,905% ao ano. Esse contrato, negociado na B3, reflete a Selic que o mercado espera até lá. O PLOA prevê média de 12,53% em 2027. Os prazos são diferentes, então a comparação é aproximada.

As fontes consultadas não trazem estimativa oficial do custo em reais dessa diferença. Por isso, esta reportagem não calcula impacto no orçamento.

Tesouro cancela leilões de títulos

O Tesouro cancelou o leilão de títulos atrelados à inflação, previsto para terça (27), e o de prefixados, previsto para quinta (29). Manteve o leilão de LFT, papel ligado à Selic, na terça. Segundo a Metrópoles, o órgão disse que “continuará monitorando as condições de mercado”. O InfoMoney informou ainda a recompra de cerca de R$ 7,1 bilhões em NTN-F, títulos prefixados, para suavizar a alta das taxas.

Segundo o InfoMoney, o analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, afirmou: “Considero elevado o risco de uma correção mais profunda.”

O que diz o Tesouro Nacional: Em comunicado citado pela Metrópoles, o órgão disse que “continuará monitorando as condições de mercado” e atuará para garantir o funcionamento dos negócios. Esta reportagem usa a posição publicada; não houve contato direto com o órgão.

O que vem a seguir

A LOA de 2027 segue no Congresso, e as fontes consultadas não trazem data de votação. O Copom volta a se reunir em novembro. Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar. Esta reportagem não é recomendação de investimento.

Como fizemos: Usamos a Agência Senado e a CNN Brasil (31/08/2026), a Rádio Senado (20/10/2026), a Lei Complementar 200/2023 (Planalto), o Tesouro Nacional por meio do Poder360 (29/07/2026), o Copom por meio do Atlas Público (16/09/2026), a metodologia da ANP e, para 26/10/2026, o InfoMoney e o BPMoney, todos acessados em 26/10/2026. O dólar subiu 8,21% no InfoMoney e 8,25% no BPMoney; usamos “cerca de 8,2%”. A diferença de 3,5% em relação ao câmbio do PLOA é nosso cálculo (R$ 5,403 ÷ R$ 5,22). Os dados disponíveis não permitem estimar o custo em reais, por isso não o calculamos.

Fontes