PL quer Rogério Marinho na presidência do Senado em 2027
Com 28 senadores em 2027, o PL precisa de 13 votos de outros partidos para chegar aos 41 da maioria absoluta na eleição da Mesa.

Na eleição de 4 de outubro, o Partido Liberal (PL) elegeu 19 senadores. Com isso, terá a maior bancada da Casa a partir de 2027: 28 das 81 cadeiras, segundo a CNN Brasil. Agora o partido quer a presidência do Senado, e o nome escolhido é o do senador Rogério Marinho (PL-RN).
Mas o cenário mudou no segundo turno. No dia 25, Lula venceu com 51,79% dos votos válidos (excluídos os brancos e nulos), contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de 4.430.191 votos, segundo a apuração publicada pelo O Povo.
Contexto: a Mesa muda a cada dois anos
O Senado elege sua Mesa a cada dois anos. O presidente da Mesa conduz as sessões e a pauta do plenário. Davi Alcolumbre (União-AP) foi eleito em 1º de fevereiro de 2025, com 73 dos 81 votos, segundo o Diário do Nordeste. O mandato dele termina em janeiro de 2027.
A Constituição proíbe a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente seguinte (artigo 57, §4). Ou seja, a volta de Alcolumbre ao cargo já é questionada. O Poder360 avalia que o novo Congresso, mais à direita, dificulta a reeleição dele e a do presidente da Câmara, Hugo Motta.
A conta dos 41 votos
Na prática, a presidência do Senado exige maioria absoluta, ou seja, mais da metade dos votos. Com os 81 senadores votando, são 41 votos. Alcolumbre passou com 73 em 2025. Em 2027, o PL começa com 28.
Isso deixa o partido 13 votos abaixo do necessário, sem contar outros blocos. Os outros 53 senadores se dividem entre PT, MDB e demais partidos. A tabela mostra o tamanho de cada bloco.
O PL tem pouco mais de um terço da Casa e precisa de 13 votos de fora Senadores por bancada a partir de 2027 e participação nas 81 cadeiras
| Bancada | Senadores | Parte da Casa |
|---|---|---|
| PL | 28 | 34,6% |
| PT (Partido dos Trabalhadores) | 9 | 11,1% |
| MDB (Movimento Democrático Brasileiro) | 8 | 9,9% |
| Demais partidos | 36 | 44,4% |
Fonte: CNN Brasil (bancadas de PL, PT e MDB, 4/10/2026). Demais partidos: cálculo da redação. Elaboração: redação.
O que muda com a candidatura de Marinho
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, disse ao Congresso em Foco que o partido precisa “fazer o presidente da República para fazer o presidente do Senado”. Ou seja, a estratégia dependia da vitória de Flávio Bolsonaro. Essa vitória não aconteceu.
Valdemar também descartou o apoio à permanência de Alcolumbre, que classificou como “totalmente descartado”. O PL, portanto, quer romper com o atual comando da Casa.
Marinho deu outro recado. Ao Muita Informação, ele disse que a discussão “é um assunto para a gente debater após o segundo turno”. Ele também afirmou que “por maior que seja a bancada, sozinho não vai eleger ninguém”. Ou seja, os 28 votos do PL não bastam.
Marinho coordenou a campanha de Flávio. Em 7 de outubro, o PlatôBR, coluna do Estado de Minas, relatou que ele já se movimenta para comandar o Senado a partir de 2027. Na mesma reportagem, sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ele disse: “Deixamos claro que, na hora que houver algum crime de responsabilidade por um ministro do STF, o Senado não vai se omitir.”
O recado liga a presidência do Senado ao tema do impeachment, ou seja, do processo de afastamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O texto não explica como isso aconteceria na prática. Em agosto, Marinho já criticara o jantar de Lula com Davi Alcolumbre na casa do ministro Alexandre de Moraes. Para ele, um ministro do Supremo “não é articulador partidário, fiador de acordos políticos nem operador de sucessões no Congresso”.
O que diz Rogério Marinho: Em 5 de outubro, ele disse: “Isso é um assunto para a gente debater após o segundo turno”, segundo o Muita Informação. As reportagens consultadas não trazem anúncio formal de candidatura.
O que isso significa
Com 28 cadeiras, o PL terá o maior peso na Mesa, mas não tem votos para eleger ninguém sozinho. A conta fecha em 41, e o partido ainda precisa conquistar 13 votos fora da bancada. A vitória de Lula deixa em aberto com quais partidos ele vai negociar.
A eleição da Mesa deve ocorrer no começo de 2027. Em 2025, foi em 1º de fevereiro. Até lá, a disputa dependerá de acordos que ainda não foram anunciados.
Como fizemos: Usamos a apuração do segundo turno publicada pelo O Povo, em 25/10/2026 (acesso em 27/10/2026), e as bancadas de 2027 divulgadas pela CNN Brasil em 4/10/2026. Calculamos a maioria absoluta de 81 senadores (41 votos), a diferença para o PL (41 − 28 = 13) e a parte dos demais partidos (81 − 28 − 9 − 8 = 36). Não há dados sobre a posição dos outros 53 senadores. Os números de bancada podem mudar até a posse.
Fontes
- Novo Congresso dificulta reeleição de Alcolumbre e Motta — Poder360
- PL elege 19 senadores e terá a maior bancada do Senado — CNN Brasil
- Confira a diferença de votos entre Lula e Flávio no 2º turno — O Povo
- Valdemar diz que PL quer eleger Rogério Marinho presidente do Senado — Congresso em Foco
- Rogério Marinho adia debate sobre presidência do Senado e diz que foco está no 2º turno — Muita Informação
- Rogério Marinho já se movimenta abertamente para comandar o Senado a partir de 2027 — PlatôBR, Estado de Minas
- Coordenador da campanha de Flávio critica reunião entre Lula e Alcolumbre na casa de Moraes — Folha de Pernambuco
- Davi Alcolumbre é eleito presidente do Senado e assume o posto pela segunda vez — Diário do Nordeste
- Constituição Federal de 1988 — Planalto
