PL quer Rogério Marinho na presidência do Senado em 2027

Com 28 senadores em 2027, o PL precisa de 13 votos de outros partidos para chegar aos 41 da maioria absoluta na eleição da Mesa.

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Plenário do Senado Federal, com um senador discursando na tribuna e a bandeira do Brasil ao fundo.
Arquivo: plenário do Senado Federal, em Brasília, durante sessão de agosto de 2014, com um senador na tribuna.Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na eleição de 4 de outubro, o Partido Liberal (PL) elegeu 19 senadores. Com isso, terá a maior bancada da Casa a partir de 2027: 28 das 81 cadeiras, segundo a CNN Brasil. Agora o partido quer a presidência do Senado, e o nome escolhido é o do senador Rogério Marinho (PL-RN).

Mas o cenário mudou no segundo turno. No dia 25, Lula venceu com 51,79% dos votos válidos (excluídos os brancos e nulos), contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de 4.430.191 votos, segundo a apuração publicada pelo O Povo.

Contexto: a Mesa muda a cada dois anos

O Senado elege sua Mesa a cada dois anos. O presidente da Mesa conduz as sessões e a pauta do plenário. Davi Alcolumbre (União-AP) foi eleito em 1º de fevereiro de 2025, com 73 dos 81 votos, segundo o Diário do Nordeste. O mandato dele termina em janeiro de 2027.

A Constituição proíbe a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente seguinte (artigo 57, §4). Ou seja, a volta de Alcolumbre ao cargo já é questionada. O Poder360 avalia que o novo Congresso, mais à direita, dificulta a reeleição dele e a do presidente da Câmara, Hugo Motta.

A conta dos 41 votos

Na prática, a presidência do Senado exige maioria absoluta, ou seja, mais da metade dos votos. Com os 81 senadores votando, são 41 votos. Alcolumbre passou com 73 em 2025. Em 2027, o PL começa com 28.

Isso deixa o partido 13 votos abaixo do necessário, sem contar outros blocos. Os outros 53 senadores se dividem entre PT, MDB e demais partidos. A tabela mostra o tamanho de cada bloco.

O PL tem pouco mais de um terço da Casa e precisa de 13 votos de fora Senadores por bancada a partir de 2027 e participação nas 81 cadeiras

Bancada Senadores Parte da Casa
PL 28 34,6%
PT (Partido dos Trabalhadores) 9 11,1%
MDB (Movimento Democrático Brasileiro) 8 9,9%
Demais partidos 36 44,4%

Fonte: CNN Brasil (bancadas de PL, PT e MDB, 4/10/2026). Demais partidos: cálculo da redação. Elaboração: redação.

O que muda com a candidatura de Marinho

Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, disse ao Congresso em Foco que o partido precisa “fazer o presidente da República para fazer o presidente do Senado”. Ou seja, a estratégia dependia da vitória de Flávio Bolsonaro. Essa vitória não aconteceu.

Valdemar também descartou o apoio à permanência de Alcolumbre, que classificou como “totalmente descartado”. O PL, portanto, quer romper com o atual comando da Casa.

Marinho deu outro recado. Ao Muita Informação, ele disse que a discussão “é um assunto para a gente debater após o segundo turno”. Ele também afirmou que “por maior que seja a bancada, sozinho não vai eleger ninguém”. Ou seja, os 28 votos do PL não bastam.

Marinho coordenou a campanha de Flávio. Em 7 de outubro, o PlatôBR, coluna do Estado de Minas, relatou que ele já se movimenta para comandar o Senado a partir de 2027. Na mesma reportagem, sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ele disse: “Deixamos claro que, na hora que houver algum crime de responsabilidade por um ministro do STF, o Senado não vai se omitir.”

O recado liga a presidência do Senado ao tema do impeachment, ou seja, do processo de afastamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O texto não explica como isso aconteceria na prática. Em agosto, Marinho já criticara o jantar de Lula com Davi Alcolumbre na casa do ministro Alexandre de Moraes. Para ele, um ministro do Supremo “não é articulador partidário, fiador de acordos políticos nem operador de sucessões no Congresso”.

O que diz Rogério Marinho: Em 5 de outubro, ele disse: “Isso é um assunto para a gente debater após o segundo turno”, segundo o Muita Informação. As reportagens consultadas não trazem anúncio formal de candidatura.

O que isso significa

Com 28 cadeiras, o PL terá o maior peso na Mesa, mas não tem votos para eleger ninguém sozinho. A conta fecha em 41, e o partido ainda precisa conquistar 13 votos fora da bancada. A vitória de Lula deixa em aberto com quais partidos ele vai negociar.

A eleição da Mesa deve ocorrer no começo de 2027. Em 2025, foi em 1º de fevereiro. Até lá, a disputa dependerá de acordos que ainda não foram anunciados.

Como fizemos: Usamos a apuração do segundo turno publicada pelo O Povo, em 25/10/2026 (acesso em 27/10/2026), e as bancadas de 2027 divulgadas pela CNN Brasil em 4/10/2026. Calculamos a maioria absoluta de 81 senadores (41 votos), a diferença para o PL (41 − 28 = 13) e a parte dos demais partidos (81 − 28 − 9 − 8 = 36). Não há dados sobre a posição dos outros 53 senadores. Os números de bancada podem mudar até a posse.

Fontes