Misoginia e IA esperam o plenário da Câmara, sem data marcada

Na agenda pública da Câmara, nenhuma sessão de Plenário aparece após 26 de outubro. Misoginia e inteligência artificial seguem sem votação, e a pauta é de Hugo Motta.

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Deputadas de camisetas brancas com o texto 'Fim da escala 6x1' reunidas na tribuna do Plenário da Câmara, algumas com o punho erguido, enquanto pessoas fotografam com celulares.
Deputadas com camisetas pelo fim da escala 6x1 na tribuna do Plenário da Câmara dos Deputados, em sessão de 27 de maio de 2026 (foto de arquivo).Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Na noite de domingo (25), a Agência Brasil informou que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente. Com 98,2% das urnas apuradas, ele tinha 51,75% dos votos válidos. A Câmara retoma o calendário com projetos na fila e nenhuma votação marcada na agenda pública.

Quem decide o que entra no Plenário é o presidente da Casa, hoje Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo a própria Câmara, ele organiza a agenda “após ouvir o Colégio de Líderes” e define a Ordem do Dia, a lista de itens de cada sessão.

A pauta é a lista de projetos que o Plenário pode votar. Um projeto de lei (PL) com urgência aprovada pode ir direto ao Plenário, sem passar pelas comissões temáticas. Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) segue outro rito e exige três quintos dos deputados, ou 308 votos.

Além da disputa eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL) disse que não reconhece o resultado e vai pedir a anulação da eleição, segundo a Agência Brasil.

Três projetos sem data no Plenário

Misoginia. O projeto que criminaliza a misoginia (PL 896/2023) já foi aprovado pelo Senado. Em 1º de julho, a Câmara aprovou a urgência por 293 votos a 158. Em 7 de julho, a votação foi adiada por falta de consenso sobre o texto, segundo o Estado de Minas. Em 2 de agosto, a Agência Brasil informou que o projeto aguardava uma decisão de Motta para ir à votação.

Inteligência artificial (IA). O marco regulatório da IA (PL 2338/2023) teve a votação adiada mais de uma vez. Em 24 de agosto, o relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), disse que a votação “deve ficar para o final do ano”. Depois de aprovado pela Câmara, o texto volta ao Senado.

Reforma administrativa. Esta é uma PEC. Em 1º de junho, o relator, deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), afirmou: “Passadas as eleições, a reforma administrativa é a reforma da prateleira, pronta para ser aprovada pelo Brasil.” Nenhuma data de votação aparece nas fontes consultadas.

Agenda vazia e sinais da liderança

Na agenda pública da Câmara, consultada para esta reportagem, a única entrada a partir de 26 de outubro é uma visita guiada ao Congresso. Nenhuma sessão de Plenário aparece. Em julho, Motta já havia pedido cautela: “Não tenhamos assuntos que tragam maior polêmica”. O PL da Misoginia estava entre os temas deixados de fora daquela semana, segundo o Congresso em Foco.

No fim de julho, a Agência Senado informou que o Congresso retomava os trabalhos com 32 medidas provisórias (MPs) para analisar. Uma MP é um ato do governo com força de lei, e o Congresso tem 120 dias para aprová-la. A reportagem não traz o prazo da maioria delas.

Em 14 de outubro, a Agência Câmara informou que partidos de centro decidiram manter seu bloco na próxima legislatura, a partir de fevereiro de 2027, e apoiar a recondução de Motta à presidência.

O que diz Hugo Motta: Em declaração publicada pela Agência Câmara na madrugada de 26 de outubro, ele afirmou que pretende “construirmos consenso e avançarmos nas pautas que o povo brasileiro tanto espera”. A fala não cita nenhum projeto. Não houve contato direto com a Presidência da Câmara para este texto.

O que isso significa

Os três projetos têm em comum uma decisão ainda não tomada: Motta decide se e quando levá-los ao Plenário. A IA depende de votação no fim do ano. A misoginia depende de acordo entre as bancadas, segundo o Estado de Minas.

A nova legislatura começa em fevereiro de 2027, e o tempo para votar é curto. A pergunta para os próximos dias é objetiva: quais desses itens entram na pauta antes disso?

Como fizemos: Reunimos declarações e reportagens publicadas entre 1º de junho e 26 de outubro de 2026 pela Agência Brasil, Agência Câmara, Congresso em Foco, Estado de Minas, Mobile Time e Poder360, acessadas em 26/10/2026. Não encontramos pauta oficial de Plenário publicada após o segundo turno. Não confirmamos nenhuma tramitação da misoginia ou da IA posterior a agosto, por isso a situação atual deve ser conferida na página de cada projeto.

Fontes