Câmara reelege 60,62% dos deputados, maior taxa desde a redemocratização

Segundo a Câmara, 311 dos 513 deputados foram reeleitos em 2026, contra 57% em 2022; a renovação ficou em 33,72%, a menor da série.

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Plenário da Câmara dos Deputados com parlamentares sentados à mesa, atrás de uma faixa branca com a frase “A reforma que o Brasil precisa”.
Plenário da Câmara dos Deputados durante o ato “Mulheres na Política”, em Brasília, em 14 de maio de 2015 (imagem de arquivo).Foto: MDB Nacional / Flickr / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 14 de outubro, a Câmara dos Deputados informou que 311 dos 513 deputados federais foram reeleitos na eleição de 4 de outubro. Segundo a própria Casa, a taxa de 60,62% é a maior desde a redemocratização.

Para quem não acompanha o tema, a taxa de reeleição mede quantas cadeiras voltaram para quem já tinha mandato de deputado federal. A taxa de renovação mede a parte ocupada por quem nunca foi deputado federal.

Quanto cresceu a reeleição

A Câmara publicou a série de reeleição desde 1998. Em 2022, 294 deputados foram reeleitos, ou 57%. Em 2018, foram 251, ou 49%, a única eleição abaixo da metade desde 1998, segundo a mesma série.

Deputados reeleitos em três eleições, sobre as 513 cadeiras Número de reeleitos e percentual, por eleição

Eleição Reeleitos Taxa
2018 251 49%
2022 294 57%
2026 311 60,62%

Fonte: Agência Câmara (05/10/2022 e 14/10/2026). Base: 513 cadeiras. Elaboração: redação.

Em números absolutos, são 17 reeleitos a mais que em 2022 e 60 a mais que em 2018. Em pontos percentuais, a diferença é de pouco mais de 3 em relação a 2022 e de cerca de 12 em relação a 2018. Pontos percentuais medem a diferença entre dois percentuais.

A média das eleições desde 1998 foi de 56%, também segundo a Câmara. Não encontramos, em fontes verificadas, taxa comparável para as eleições de 1986 a 1994.

O que a renovação mostra

A mesma reportagem da Câmara informa que a taxa de renovação ficou em 33,72%, a menor da série. Pelo nosso cálculo, isso equivale a cerca de 173 deputados em primeiro mandato. Outros 29 ex-deputados voltaram ao cargo, ou 5,65% da Casa.

Renovar a Câmara significa trazer gente nova para o plenário e para as comissões. Uma taxa alta de reeleição tende a manter quem já conhece o regimento e as pautas. Os números, porém, não medem o desempenho de cada deputado.

Outras contas dão percentuais maiores porque usam outra base. O CNN Brasil informou 67,7%, ou 296 de 437 candidatos à reeleição. Essa conta mede quem ganhou a disputa, e não quantas cadeiras mudaram de dono.

A própria Câmara também revisou sua conta. A primeira contagem, feita no dia seguinte à eleição, usava apenas os titulares empossados. Em 14 de outubro, a Secretaria-Geral da Mesa, setor administrativo que produz os dados, incluiu os suplentes que exerceram o mandato temporariamente.

O que diz a Câmara dos Deputados: em reportagem da Agência Câmara de 14/10/2026, a Casa informa 311 reeleitos e taxa de 60,62%, e diz que a série foi recalculada para seguir o histórico. Não entrevistamos a Câmara para este texto; a posição citada é a publicada pela Casa.

O que isso significa

Os números indicam continuidade. Cerca de dois terços das cadeiras, 340 no total, ficam com quem já tinha mandato: 311 reeleitos e 29 ex-deputados, pelo nosso cálculo. A nova legislatura começa em 1º de fevereiro de 2027, segundo a CNN Brasil.

Os dados não dizem se a Câmara ficou melhor ou pior. Mostram quantas cadeiras mudaram de dono e quantas continuaram com quem já estava na Casa. A composição final depende do voto de cada eleitor.

Como fizemos: Usamos o número de reeleitos (311) e a taxa de renovação (33,72%) da Agência Câmara, de 14/10/2026, e os dados de 2018 e 2022 da Agência Câmara, de 05/10/2022, acessados em 22/10/2026. Calculamos as taxas sobre as 513 cadeiras, base que reproduz os percentuais de 2018 (251 de 513) e 2022 (294 de 513). Também calculamos as diferenças, o número de novatos (513 × 33,72%) e a soma de reeleitos com ex-deputados (340). Não conseguimos acessar a série completa da Câmara, por isso não comparamos as eleições de 1986 a 1994. Os dados não medem experiência nem desempenho dos eleitos.

Fontes