PSB e PDT apoiam recondução de Motta; PL mira a presidência da Câmara

PSB e PDT apoiam a recondução de Hugo Motta. Os partidos aliados somam 273 deputados; a eleição exige 257 votos, e a votação é secreta.

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Hugo Motta sentado à mesa do plenário da Câmara, com deputados em pé atrás dele; o painel de tempo marca 00:00.
Hugo Motta na mesa do plenário da Câmara, cercado de deputados que impediam o funcionamento do Congresso, em 6 de agosto de 2025 (imagem de arquivo).Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados / Wikimedia Commons (CC BY 1.0)

Na quarta-feira (21), o PSB (Partido Socialista Brasileiro) e o PDT (Partido Democrático Trabalhista) anunciaram apoio à recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados. Foi uma nota conjunta. Segundo O Tempo, os dois partidos somam 21 deputados eleitos para a próxima legislatura: 15 do PSB e 6 do PDT.

Com eles, os partidos que apoiam Motta chegam a 273 deputados. A eleição exige 257 votos no primeiro turno, a maioria absoluta dos 513 deputados. Pela conta da redação, a margem é de 16 votos. Mas a votação é secreta, e a posição do partido não garante o voto de cada deputado.

Motta foi eleito em 1º de fevereiro de 2025, com 444 votos, segundo o Congresso em Foco. A próxima eleição para a Mesa Diretora, o grupo que comanda a Casa, está prevista para 1º de fevereiro de 2027.

Quem apoia e quem resiste

O bloco de dez partidos do centrão já apoiava Motta, com 252 deputados, segundo O Tempo. O centrão reúne partidos de centro e centro-direita. Com PSB e PDT, o total chega a 273.

O PSD (Partido Social Democrático) também se aproximou. O líder da bancada, Antonio Brito (PSD-BA), declarou apoio pessoal à reeleição de Motta. Segundo O Globo, isso abre caminho para o partido não lançar candidato próprio.

O PT (Partido dos Trabalhadores) ainda não decidiu. Uma coluna do SBT News, de 16 de outubro, diz que a bancada quer apoiar Motta. A decisão do partido fica para depois do segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro. O deputado Rubens Pereira Jr. (PT-MA) afirmou à coluna: “Defendo dentro da bancada que o PT apoie a reeleição de Hugo Motta”.

O PL (Partido Liberal) elegeu 121 deputados, 22 a mais que em 2022, segundo o Congresso em Foco. O partido quer comandar uma das Casas do Congresso, segundo O Tempo. Segundo O Globo, o PL sinalizou candidatura de oposição, e Sóstenes Cavalcante (RJ) e Altineu Côrtes (RJ) aparecem como nomes possíveis.

Um líder do PL disse à mesma reportagem que o partido pode não lançar candidato se o centro ajudar a eleger um senador do PL no Senado. Segundo o SBT News, o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, teria resistido a Motta em reunião com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira.

O que diz a regra

A Constituição dá à Mesa um mandato de dois anos e proíbe a recondução ao mesmo cargo na eleição seguinte. Em 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o tema na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6524, apresentada pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Segundo o STF, a vedação vale para a eleição imediatamente subsequente, “dentro da mesma legislatura”. O placar foi apertado, segundo o InfoMoney.

A eleição de fevereiro de 2027 abre uma nova legislatura. Pelo texto do STF, a vedação se limita à mesma legislatura. Por isso, a recondução de Motta em 2027 não estaria coberta por ela. Essa é uma leitura da regra, não uma decisão sobre o caso dele. Segundo o InfoMoney, a orientação fixada só muda se o Congresso alterar a regra por emenda constitucional.

O que diz Hugo Motta: nas reportagens consultadas, não há declaração dele sobre a recondução até a publicação. O apoio declarado vem de PSB e PDT, em nota conjunta, e de partidos do centrão, segundo O Tempo.

O que fica em aberto

Os números mostram uma disputa em aberto. Os partidos declaram 273 apoios, mas a votação é secreta e a maioria exigida é de 257. O PT decide depois de 25 de outubro, e o PL ainda não escolheu nome.

Até fevereiro, as posições podem mudar. O que vale, no dia da eleição, é o voto em sigilo dos 513 deputados.

Como fizemos: Comparamos as reportagens de O Tempo (21/10/2026), Jovem Pan (21/10/2026), O Globo reproduzido pela Folha de Pernambuco (13/10/2026), SBT News (16/10/2026) e Congresso em Foco (5/10/2026, 14/10/2026 e 1º/2/2025), acessadas em 22/10/2026. Os 273 apoios são a soma de 252 do bloco de dez partidos e 21 do PSB e PDT, segundo O Tempo; a diferença de 16 para 257 é cálculo da redação. Lemos o texto de notícia do STF e a reportagem do InfoMoney, não o acórdão, e a leitura de que a regra não alcança a eleição de 2027 é da redação.

Fontes