Governo quer votar PEC da Segurança na próxima semana

Teresa Leitão anunciou a intenção de retomar a PEC e rejeitar emendas; a data oficial ainda depende de Alcolumbre e de acordo entre as bancadas.

Publicado em

Leitura3 min de leitura

Teresa Leitão, de amarelo, cumprimenta Eliziane Gama durante reunião de comissão no Senado.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, de amarelo, em reunião de comissão, em 5 de fevereiro de 2026.Foto: Geraldo Magela / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), disse nesta terça-feira (27) que a PEC da Segurança Pública deve ser votada na próxima semana. A declaração foi dada em entrevistas ao SBT News e ao Jornal do Commercio.

A retomada é uma intenção do governo, não uma data oficialmente marcada. A inclusão na pauta depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e de entendimento entre as bancadas.

Teresa afirmou que o governo quer aprovar o texto como veio da Câmara. A estratégia é rejeitar as emendas e tratar essas propostas em outra discussão.

O caminho mais curto e o mais longo

A PEC (proposta de emenda à Constituição) exige dois turnos de votação em cada Casa. São necessários três quintos dos membros: 49 dos 81 senadores e 308 dos 513 deputados.

Se o Senado mantiver o texto da Câmara, a proposta segue para promulgação. Se alterar o conteúdo, a PEC volta aos deputados. A tabela compara os dois caminhos.

Uma emenda no Senado obriga duas novas votações na Câmara

Etapas restantes conforme a decisão dos senadores

Cenário Caminho seguinte Votações restantes
Texto da Câmara mantido Promulgação pelo Congresso 2 no Senado
Texto alterado no Senado Retorno à Câmara antes da promulgação 2 no Senado e 2 na Câmara

Fonte: Constituição Federal, artigo 60, parágrafo 2º. Elaboração: redação.

A diferença prática é de duas votações adicionais na Câmara. Em cada uma, seriam necessários novamente 308 votos. Por isso, rejeitar emendas encurta a tramitação, mas exige maioria para derrotar cada mudança.

Por que a votação foi interrompida

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) concluiu a análise da PEC 18/2025 em 14 de outubro. Alcolumbre retirou a proposta da pauta no dia seguinte, quando faltou acordo sobre duas emendas, segundo o relato de Teresa ao Jornal do Commercio.

O texto cria o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), mecanismo de cooperação entre União, estados e municípios. Também prevê integração de informações, forças-tarefa conjuntas e regras para polícias municipais, segundo a Agência Senado.

A PEC não entra em vigor apenas com a aprovação no Senado. Depois de concluir o trâmite nas duas Casas, as Mesas do Congresso promulgam a emenda constitucional. Não há sanção presidencial.

O que diz Teresa Leitão: A senadora declarou: “A nossa intenção é votá-la do jeito que ela veio da Câmara, rejeitando portanto as emendas”. Sobre o Ministério da Segurança prometido por Lula, afirmou: “Que vai criar, vai”, mas disse que a data cabe ao presidente.

O que falta definir

Alcolumbre ainda precisa marcar a sessão e articular o calendário com os líderes. O governo também precisa reunir 49 votos nos dois turnos, seja para manter o texto, seja para decidir eventuais emendas.

A próxima semana é o primeiro teste da promessa de retomada. Sem acordo, a PEC pode continuar parada. Com mudanças, o prazo aumenta porque a Câmara terá de votar novamente.

Como fizemos: Conferimos a intenção de votação nas entrevistas ao SBT News, publicada às 16h16, e ao Jornal do Commercio. A etapa da PEC foi verificada na Agência Senado, e os quóruns, no artigo 60 da Constituição. A tabela compara os caminhos regimentais, sem prever o resultado dos votos. Acesso em 27/10/2026.

Fontes