Orçamento Mulher chega ao Senado sem piso de gastos

Projeto cria dois quadros para comparar recursos previstos e executados em políticas para mulheres, mas não obriga percentual mínimo do Orçamento.

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Laura Carneiro e Geraldo Alckmin posam em um gabinete ao lado de um mapa-múndi.
A coautora Laura Carneiro com o então vice-presidente Geraldo Alckmin, em Brasília, em 23 de maio de 2023.Foto: Cadu Gomes / Vice-Presidência da República / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Senado começou a analisar o projeto que cria o Orçamento Mulher, anexo destinado a mostrar recursos para políticas voltadas às mulheres. O PL 2.883/2024 já foi aprovado pela Câmara e aguarda distribuição às comissões temáticas.

A proposta não estabelece percentual mínimo de gastos. Seu principal efeito é obrigar União, estados, Distrito Federal e municípios a apresentar dois quadros: um com a previsão e outro com a execução financeira.

O que os dois quadros mostrarão

O primeiro quadro será incluído na proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA), lei que define as receitas e despesas de cada ano. Ele indicará os valores previstos para ações e programas com mulheres como beneficiárias diretas.

O segundo será publicado junto ao relatório de execução orçamentária. Esse documento mostrará os recursos efetivamente destinados às ações. A comparação entre os dois permitirá identificar diferenças entre o valor prometido e o realizado.

Essa diferença importa porque uma dotação aprovada pelo Congresso pode não se transformar integralmente em despesa no ano. O anexo facilitará localizar essa distância por política, sem esperar uma consolidação posterior de documentos separados.

Projeto separa o dinheiro prometido do dinheiro executado

Documentos previstos no Orçamento Mulher

Quadro Quando será apresentado O que informa
Proposta do Orçamento Mulher Com o projeto da LOA Recursos previstos
Execução do Orçamento Mulher Com o relatório de execução Recursos destinados às ações

Fonte: Agência Senado. Elaboração: redação.

Os quadros deverão abranger despesas de educação, saúde e assistência social. Outras áreas também poderão entrar quando tiverem mulheres definidas como beneficiárias diretas. A regra alcança os três entes federativos, não apenas o governo federal.

Transparência não é garantia de aumento

O projeto cria uma ferramenta de acompanhamento, não uma reserva automática de recursos. Não há meta de participação no Orçamento nem valor mínimo definido. Por isso, sua aprovação não significaria, por si só, ampliação das políticas.

A diferença é central para o trabalho do Congresso. Um anexo pode revelar cortes, baixa execução ou concentração de despesas, mas a decisão sobre quanto gastar continuará nas leis orçamentárias votadas pelos parlamentares.

O texto também determina que o governo federal reúna anualmente os dados de todo o país. O relatório nacional deverá permitir avaliar os esforços de promoção de políticas para a população feminina. A forma de padronizar as informações entre entes será decisiva para essa comparação.

Os autores são os deputados Laura Carneiro (PSD-RJ) e Ricardo Ayres (Republicanos-TO). Eles apresentaram a proposta em julho de 2024. A ficha da Câmara registra a criação do anexo e a tramitação pelas comissões de Defesa da Mulher, Finanças e Constituição e Justiça.

O que dizem os autores: Na explicação publicada pelo Senado, Laura Carneiro e Ricardo Ayres defendem que o anexo amplie a transparência e permita avaliar resultados. Eles também apontam maior visibilidade para programas de inclusão social e enfrentamento da violência de gênero.

O que vem agora

O Senado ainda precisa distribuir o projeto às comissões. Depois dos pareceres, o texto poderá seguir ao plenário, conforme o rito definido. Alterações de mérito exigiriam nova análise pela Câmara.

Para o cidadão, a utilidade do anexo estará na possibilidade de comparar previsão e execução sem procurar programas dispersos. Para as políticas públicas, o próximo desafio será definir critérios comuns do que entra em cada quadro e evitar que a mesma despesa seja contada mais de uma vez.

Como fizemos: Comparamos os dois quadros descritos pela Agência Senado com a ementa e a trajetória registradas na ficha da Câmara. A análise distingue transparência orçamentária de obrigação de gasto, pois o projeto não fixa percentual mínimo. Fontes acessadas em 28/10/2026.

Fontes