Votos depois das 17h somam menos de 1% da vantagem de Lula

Lula venceu por 4,43 milhões de votos. Os cerca de 34 mil votos depois das 17h equivalem a menos de 1% da vantagem, segundo levantamentos com dados do TSE.

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Cúpula branca do Senado Federal, em Brasília, com o logotipo da Justiça Eleitoral projetado, diante de jornalistas e câmeras ao anoitecer.
Cúpula do Senado, em Brasília, com projeção do logotipo da Justiça Eleitoral durante a apuração do primeiro turno, em 4 de outubro de 2026.Foto: Carlos Moura / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Lula foi reeleito com 64.256.232 votos válidos, ou 51,79%. Os votos válidos excluem brancos e nulos. Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), teve 59.826.041, ou 48,21%. A diferença é de 4.430.191 votos, segundo os totais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reproduzidos pela Jovem Pan.

Flávio não reconhece o resultado. No domingo (25), ele disse que “é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram” e que vai pedir a anulação. Seu principal argumento é a prorrogação do horário de votação. Este texto compara a diferença com os votos depois das 17h.

O que mudou às 17h

A votação terminaria às 17h. Naquela tarde, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin estendeu o horário até as 19h em todo o país. Na decisão, ele escreveu: “determino prorrogação por duas horas, até as 19h, horário de Brasília”.

A decisão responde a uma reclamação, ação que pede o cumprimento de uma decisão anterior do STF. A coligação Brasil Pronto Pra Mais, da campanha de Lula, alegou falta de ônibus para eleitores em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia.

As campanhas pediram coisas diferentes. Às 15h27, a campanha de Flávio pediu ao TSE prorrogação em 17 municípios, por causa de chuvas. Às 15h46, o Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o STF para as cidades baianas, e às 16h29 estendeu o pedido ao país inteiro, segundo a VTV.

Os relatos sobre os estados também divergem. A Gazeta do Povo e a InfoMoney citam o pedido do PL só em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O Metrópoles e a VTV incluem também Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Quantos votos vieram depois das 17h

Os levantamentos não dão o mesmo número. A Jovem Pan contou 34.319 votos entre 17h e 19h, a partir de arquivos públicos das urnas, e reconheceu que o dado não é estatística oficial homologada pelo TSE. A CNN Brasil, com dados do TSE levantados pela setup.news, contou 34.330 votos após as 17h. Um levantamento do g1, citado pela Gazeta do Povo, chegou a 35.521.

Nossa conta: 4.430.191 votos de diferença equivalem a cerca de 129 vezes o total de 34.319. Mesmo com o número mais alto, a diferença fica acima de 120 vezes esse volume. Os votos depois das 17h equivalem a menos de 1% da vantagem de Lula.

Essa conta mede o que entrou nas urnas depois das 17h, não quem ficou de fora. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais a manter abertas só as seções com filas, segundo a VTV. A decisão de Zanin, em despacho das 18h, não alcançava urnas já fechadas.

Flávio também afirmou que “os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que essa eleição foi tomada”. Fiscais são representantes dos partidos na votação. O TSE disse que a afirmação é falsa. Segundo a Agência Brasil, o tribunal afirmou que “a sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação”. Dois fiscais do PL, diz o tribunal, estiveram no teste de integridade das urnas e na Sala de Totalização.

O que diz Flávio Bolsonaro: No domingo (25), ele disse que “é impossível reconhecer o resultado” e que vai pedir a anulação, segundo a transcrição da Gazeta do Povo. Ele também disse: “Eu nunca vou saber se em algum estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter.” A campanha não recebeu perguntas desta reportagem; a posição vem de declarações públicas.

O que vem a seguir

Ministros do STF e do TSE, ouvidos de forma reservada, avaliam que o pedido de anulação “não deve prosperar”. Segundo a Gazeta do Paraná, eles dizem que a medida “não teria alterado o resultado do pleito”. A reportagem não identifica os ministros.

A mesma reportagem diz: “Uma eventual contestação ainda dependerá de análise formal da Justiça Eleitoral.” Até esta publicação, as reportagens consultadas não relatavam pedido de anulação já protocolado. O Congresso não aparece em nenhuma etapa desse processo.

O próximo passo é a análise formal do pedido pela Justiça Eleitoral.

Como fizemos: Usamos os totais do TSE reproduzidos pela Jovem Pan, a íntegra da decisão de Zanin publicada pelo Poder360 e reportagens publicadas em 25 e 26/10/2026, todas acessadas em 26/10/2026. A diferença e as proporções são nossos cálculos: 4.430.191 ÷ 34.319 (cerca de 129) e 34.319 ÷ 4.430.191 (0,77%). O site do TSE não abriu no nosso acesso, então os totais não foram conferidos diretamente no tribunal. As contagens após as 17h são de imprensa, não oficiais, e não sabemos quantos eleitores estavam na fila às 17h. As falas de Flávio variam entre reportagens; usamos a transcrição da Gazeta do Povo.

Fontes