Um mandato só: a PEC do fim da reeleição e o que ela muda
Flávio apresentou em março a PEC que acaba com a reeleição para presidente; para valer, o texto precisa de três quintos dos votos nas duas Casas.

Em março de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para acabar com a reeleição de presidente. No dia 16 de outubro, já no segundo turno, foi além. Prometeu cumprir um mandato só, com ou sem a mudança aprovada, segundo o Poder360.
Na mesma ocasião, disse que a regra deveria valer também para seus parentes. A promessa chegou a nove dias da votação. Este explicador mostra o que a PEC muda, o que ela exige para passar e onde ela está hoje.
O que a proposta muda
Hoje, a Constituição permite que o presidente dispute um segundo mandato seguido. A PEC de Flávio acaba com essa possibilidade. Pelo que ele disse ao Poder360, a ideia é que o fim da reeleição valha já para o seu próprio mandato, se ele for eleito.
A extensão aos parentes é outra camada da promessa. Flávio afirmou que a regra deveria valer também para a própria família. É uma frase relevante para quem carrega o sobrenome Bolsonaro, mas foi dita em campanha, e o eleitor deve pesá-la assim.
O que a PEC precisa para passar
Uma PEC não é um projeto de lei comum. Para mudar a Constituição, o texto precisa de três quintos dos votos nas duas Casas do Congresso. Isso significa 308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores. A votação acontece em dois turnos em cada Casa.
É uma barreira alta, e ela ajuda a medir o peso da promessa. Nenhum partido tem, sozinho, essa quantidade de cadeiras. Analistas lembram que um Congresso fragmentado limita o que o próximo presidente consegue aprovar, segundo o Jornal de Brasília.
Para chegar lá, a proposta precisaria do apoio de vários outros partidos. E a ajuda teria de vir nas duas Casas, nos dois turnos, sem mudanças que obriguem o texto a voltar.
Onde ela está hoje
A proposta foi apresentada em março. Esta reportagem não encontrou registro de votação dela desde então, e o andamento pode ser conferido no site do Senado. Até ser votada, a PEC é uma intenção, não uma regra.
Ela também não é a única mudança constitucional de que o programa de Flávio depende. O plano propõe acabar com o poder do Supremo Tribunal Federal (STF) de julgar diretamente processos criminais de autoridades. Prevê ainda limitar decisões individuais dos ministros. Segundo o Congresso em Foco, quase tudo isso também exigiria PECs.
O dado de produtividade ajuda a pôr a PEC em perspectiva. Em sete anos de Senado, Flávio assinou 433 proposições como autor ou coautor, segundo levantamento publicado pelo Terra. Só duas propostas de sua autoria foram aprovadas pela Casa, e as duas seguem paradas na Câmara.
Promessa não é lei
Até a PEC ser aprovada, nada obriga um presidente eleito a cumprir a palavra. A promessa de mandato único depende só da vontade de quem a fez. E o histórico recente mostra que as posições do candidato mudam.
No caso da escala 6x1, por exemplo, Flávio era contra no dia 6 de outubro e votou a favor no dia 14. A mudança foi documentada em oito dias, no meio da campanha. Uma promessa feita no segundo turno não tem garantia maior do que essa.
A promessa sobre os parentes também pede contexto. O irmão Eduardo Bolsonaro perdeu o mandato de deputado em dezembro de 2025. Em junho de 2026, o STF o condenou por coação a 4 anos e 2 meses de prisão, segundo a Agência Brasil. Para a Corte, ele buscou tarifas e sanções dos Estados Unidos para barrar o julgamento do pai.
Por que isso importa
A diferença está no que fica por escrito. A PEC de Flávio existe, mas não há registro de que tenha sido votada. Para virar regra, tudo dependeria de um Congresso que nenhum partido controla sozinho.
O eleitor que vai às urnas em 25 de outubro pode conferir a tramitação da PEC no site do Senado. Ali está o que o candidato apresentou e o que aconteceu com a proposta desde março. Por enquanto, um mandato só é uma frase de campanha, não uma regra.
O que diz Flávio Bolsonaro: ele afirma que, se eleito, cumprirá um único mandato mesmo sem a aprovação da PEC e que a regra deveria valer também para seus parentes, segundo o Poder360.
Fontes
- Se eleito, Flávio quer fim da reeleição já para seu mandato; entenda — Poder360
- Dianteira de Flávio Bolsonaro gera expectativa por ajuste fiscal, mas pauta da vingança pode atrapalhar — Jornal de Brasília
- Flávio propõe tirar processos criminais e reduzir competências do STF — Congresso em Foco
- O que Flávio Bolsonaro apresentou e aprovou em 7 anos como senador? Confira — Terra
- STF condena Eduardo Bolsonaro à inelegibilidade e a 4 anos de prisão — Agência Brasil
- Contra 6x1, Flávio Bolsonaro defende regra que tende a reduzir salários — Intercept Brasil
- Como Flávio Bolsonaro votou sobre o fim da escala 6x1 no Senado — Exame
