Cada seção imprime um boletim de urna que qualquer um pode conferir
Cinco vias do boletim de urna saem de cada seção e os dados são publicados pelo TSE; veja o que a conferência cobre e o que não cobre.

Após o segundo turno, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) classificou como “falsa” a afirmação de Flávio Bolsonaro (PL) de que fiscais do partido foram retirados da sala-cofre. A fala veio depois da vitória de Lula no segundo turno, com 51,79% dos votos válidos contra 48,21%, segundo a Agência Brasil. A diferença foi de cerca de 4,4 milhões de votos.
O que cada seção deixa
O boletim de urna (BU) é o registro impresso da votação em cada seção. Ao fim da votação, a urna imprime cinco vias com o total de votos. Uma fica afixada na porta da seção, e outra vai com o fiscal do partido presente, segundo o Aos Fatos.
As cópias servem para conferência e não entram na contagem, diz a mesma checagem. Qualquer pessoa pode abrir o BU de cada seção no Portal Resultados do TSE, pela área “Arquivos de Urna”, segundo o InvestNews.
Lacre, testes e totalização
Antes da votação, o TSE assina digitalmente os sistemas e os lacra. Em 4 de setembro de 2026, a cerimônia lacrou os programas nos formatos digital e físico. Os resumos digitais, ou hashes, foram entregues às entidades presentes e publicados na internet, segundo o Midiamax. Um hash muda se o arquivo for alterado.
O teste de integridade compara votos em cédulas de papel com os registrados nas urnas, segundo o TSE. O Tribunal de Contas da União (TCU) acompanha esses testes no primeiro turno, nas 27 unidades da federação. Segundo o TCU, o teste verifica o funcionamento das urnas “em condições normais de uso”.
Na Sala de Totalização, técnicos acompanham o sistema que soma os boletins. Em 2022, o secretário de TI do TSE, Júlio Valente, disse: “Essas pessoas não contam votos, essas pessoas monitoram o ambiente de informática”. Em 2026, fiscais de partidos podem entrar na sala, segundo a Agência Brasil.
A Comissão de Transparência das Eleições (CTE), criada em 2021, reúne universidades, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Ministério Público, a Polícia Federal (PF), o TCU, as Forças Armadas e o Congresso. Partidos não estão entre os membros, segundo o Tecnoblog.
Por fim, a diplomação formaliza a vitória e declara o eleito apto a tomar posse. O prazo para 2026 é 18 de dezembro, segundo o SBT News.
O caso de 25 de outubro e o que não é coberto
Flávio disse que fiscais foram “retirados” da sala-cofre logo após a extensão do horário de votação, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a Terra. Ele também disse ser “impossível” reconhecer a derrota, segundo a Agência Brasil.
O TSE respondeu que “a afirmação é falsa”. Segundo a nota, dois fiscais do PL estiveram no tribunal no domingo e acompanharam o teste de integridade e a totalização. O tribunal diz ter registros de presença e filmagem que comprovam a visita.
O que diz o TSE: “A sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação”, segundo nota publicada pela Agência Brasil. A Sala de Totalização, por outro lado, pode receber fiscais de partidos, observadores e advogados.
A Agência Brasil não registra manifestação do PL ou da campanha de Flávio sobre a nota. As reportagens consultadas também não trazem prova pública da retirada. A acusação, por isso, não está comprovada.
O sistema também tem limites. Não há papel com o voto de cada eleitor para conferência individual. Em 10 de agosto de 2021, a Câmara rejeitou a proposta de emenda à Constituição (PEC) 135/2019, do voto impresso, por 229 votos a 218, com 1 abstenção. Ela precisava de 308 votos favoráveis.
Em 2022, o relatório da Defesa, enviado ao TSE em 9 de novembro, comparou boletins impressos com os dados do tribunal e não encontrou divergência. O texto diz que “não é possível afirmar que o sistema eletrônico de votação está isento da influência de um eventual código malicioso”. Segundo o TSE, o relatório não apontou fraude.
O que fica em aberto é a acusação de Flávio, que segue sem prova pública nas reportagens consultadas. Ele disse que pedirá a anulação, segundo a Terra, mas não encontramos pedido protocolado até este texto. O TCU deve enviar ao TSE um relatório consolidado dos testes em até 30 dias após o segundo turno.
Como fizemos: Usamos reportagens de 25 e 26/10/2026 sobre a nota do TSE, além de páginas do TCU, da Câmara, do Tecnoblog, do SBT News, do InvestNews, do Midiamax e do Aos Fatos, acessadas em 26/10/2026. O site do TSE bloqueou nossos acessos (erro 403), por isso as notas do tribunal aparecem como citadas pela imprensa. Os detalhes da Sala de Totalização vêm de reportagem de 2022, porque não encontramos descrição confiável do espaço em 2026. Não verificamos as regras de cópias extras para fiscais nem os testes públicos de segurança de 2026.
Fontes
- TSE nega acusação de Flávio sobre expulsão de fiscais de sala-cofre — Agência Brasil
- TSE desmente Flávio Bolsonaro e diz não ter retirado fiscais do PL da sala-cofre — Terra
- Denúncia sobre boletim de urna no lixo não prova que houve fraude na eleição de 2018 — Aos Fatos
- Como consultar o resultado da sua seção eleitoral nas eleições 2026 — InvestNews
- TSE conclui lacração dos sistemas que serão usados nas eleições de 2026 — Midiamax
- Teste de integridade no TSE confirma correspondência entre cédulas e votos registrados nas urnas — TSE
- Eleições 2026: TCU acompanha testes de integridade das urnas eletrônicas — TCU
- Presidente do TSE apresenta sala de totalização de votos — TNH1, republicando a Agência Brasil
- TSE cria comissão com especialistas de tecnologia para fiscalizar eleições — Tecnoblog
- Câmara rejeita proposta que tornava obrigatório o voto impresso — Agência Câmara
- Defesa não identifica fraudes nas eleições, mas sugere adaptações no sistema — SBT News
- Diplomação de eleitos: o que é e quando ocorre — SBT News
- Roberto Barroso durante lacração de urnas em 2020 (foto) — Wikimedia Commons
