Trump e Eduardo Bolsonaro questionam eleição brasileira sem provas

Trump disse que a eleição pareceu fraudada e Eduardo pediu que estrangeiros não reconheçam o resultado. Nenhum dos dois apresentou provas.

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Urna eletrônica brasileira modelo UE2020, com teclado numérico e teclas Branco, Corrige e Confirma, ao lado do leitor biométrico.
Urna eletrônica modelo UE2020, usada pela Justiça Eleitoral, com o leitor biométrico à direita (foto de arquivo).Foto: Antonio Augusto / Secom-TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

Lula foi reeleito no domingo (25). Com 99,99% das urnas apuradas, ele teve 51,79% dos votos. Flávio Bolsonaro teve 48,21%, segundo a apuração publicada pelo InfoMoney. Na segunda-feira (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a eleição “pareceu mais uma eleição fraudada”. No mesmo dia, Eduardo Bolsonaro pediu que estrangeiros não reconheçam o resultado.

Nenhuma das duas falas trouxe prova de fraude. Este texto mostra o que foi dito, que evidência foi oferecida e como os governos responderam. A questão de fundo é a soberania: quem decide se a eleição de um país foi limpa?

O que foi dito, e com que prova

Segundo a CNN Brasil, Trump afirmou que não apoiou ninguém, mas que a eleição “pareceu tão corrupta”. Ele também disse: “Eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele”. A reportagem registra que as acusações foram feitas “sem apresentar provas”. Em inglês, a fala foi publicada pela agência The Standard como “it looked like another rigged election”.

Eduardo Bolsonaro publicou no X um vídeo de cerca de quatro minutos, em inglês. Em tradução do Poder360, ele disse: “Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional”. O argumento é estatístico. Ele diz que o crescimento de Lula entre os turnos, as pesquisas e os votos de candidatos eliminados tornam o resultado “estatisticamente impossível”.

O Poder360 registra que o vídeo “não apresenta evidências de adulteração dos votos”. A reportagem também lembra que votos de candidatos eliminados não passam automaticamente para quem eles apoiavam.

O histórico do atrito

Em 25 de julho, o Itamaraty negou visto a dois funcionários dos Estados Unidos que queriam discutir o sistema eleitoral, segundo o Correio Braziliense. O Departamento de Estado respondeu com uma nota. Nela, chamou de “mentira sem qualquer fundamento” a tese de que a viagem serviria para minar a eleição.

Em 4 de agosto, o Palácio do Planalto afirmou que as “justificativas apresentadas são falsas”. Disse também que havia “interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”, segundo a Folha de Pernambuco.

O que diz o governo dos EUA: Em carta de 15 de outubro a deputados, o Departamento de Estado disse apoiar “o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo”. A carta não assumiu o compromisso de reconhecer o resultado, segundo a ICL Notícias.

O que as democracias fazem com o resultado

O direito internacional não fixa prazo para reconhecer uma eleição. O reconhecimento é um ato político, segundo a Exame. Até a publicação da reportagem, a Casa Branca não tinha reconhecido a vitória de Lula.

A França, a China e a União Europeia reconheceram o resultado, segundo a ICL Notícias. Líderes do Peru, do Chile, da Bolívia e do Paraguai também parabenizaram Lula, segundo a Exame.

Nos Estados Unidos, o caso de 2020 mostra como as contestações costumam terminar. Trump perdeu mais de 30 dos 50 processos que apresentou para contestar aquela eleição, segundo a contagem da AP citada pelo Observador. Em 6 de janeiro de 2021, o Congresso rejeitou objeções ligadas ao Arizona por 93 votos a 6 no Senado e 303 a 121 na Câmara. Na madrugada seguinte, certificou a vitória de Joe Biden, segundo a Jovem Pan.

Em agosto, porém, um funcionário do Departamento de Estado disse, sob anonimato, que o governo respeitaria o resultado de “eleições livres e justas no Brasil”, segundo o DGABC.

O que diz o TSE: O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, falou em “absoluta segurança do processo eleitoral”, segundo o Poder360. A Justiça Eleitoral também informou a substituição de 900 urnas, sem uso de cédula de papel, segundo o InfoMoney.

O que fica em aberto

Flávio Bolsonaro disse que vai pedir a anulação da eleição. Ele afirmou que é “impossível reconhecer o resultado”, segundo o InfoMoney. As reportagens consultadas não registram prova de fraude apresentada pelo candidato.

Até aqui, a questão é de prova. A fala de Trump e o vídeo de Eduardo não trouxeram dados sobre as urnas. O que o governo americano disse até agora é apenas que apoia uma eleição “livre e justa”. A decisão dos EUA sobre reconhecer o resultado segue em aberto.

Como fizemos: Usamos reportagens de CNN Brasil, Poder360, InfoMoney, ICL Notícias, Exame, The Standard, Correio Braziliense, Folha de Pernambuco, DGABC, Observador e Jovem Pan, acessadas em 26/10/2026. Os percentuais são da apuração do InfoMoney com 99,99% das urnas, não do boletim final do TSE. A diferença de 3,58 pontos percentuais entre os dois candidatos é nosso cálculo. As citações de Trump e Eduardo vêm de reportagens; não consultamos as gravações originais.

Fontes