Motta e Alcolumbre reconhecem Lula; Flávio fala em anular eleição

Presidentes da Câmara e do Senado reconhecem a vitória de Lula, enquanto Flávio pede anulação e o TSE rebate sua alegação sobre fiscais do PL.

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Fachada de vidro escuro e curvo da sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, com duas cúpulas brancas em primeiro plano.
Sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, onde o resultado do segundo turno foi anunciado.Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na noite de domingo (25), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) teve 48,21%. Na mesma noite, ele disse que não reconhece o resultado e vai pedir a anulação da eleição.

Decisão de Zanin no centro da disputa

A discussão gira em torno de uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. Ela estendeu a votação até as 19h onde as urnas não tinham fechado às 17h, após pedido do PT. A campanha de Flávio também havia pedido prorrogação ao TSE, em outros municípios. Depois, Zanin restringiu a medida às seções ainda abertas.

Flávio diz que a regra mudou durante a disputa. Segundo a Agência Brasil, ele afirmou: “Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo.”

Congresso e Justiça reagem

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse: “Repito, hoje é um dia de alegria para nós, democratas, para nós que acreditamos na democracia.”

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou: “Não há o que se contestar. Foi a vitória da democracia, do cidadão votar sem ser pressionado.”

O TSE rebateu Flávio em nota. Sobre a alegação de que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre, o tribunal disse: “A afirmação é falsa.” Segundo a nota, dois fiscais do PL estiveram no tribunal no domingo.

O que diz Flávio Bolsonaro (PL): Segundo a Agência Brasil, ele afirmou: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram.” Ele deixou o local sem responder a perguntas de jornalistas.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse no TSE: “O respeito à vontade manifestada nas urnas fortalece as instituições democráticas.”

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em nota de seu presidente nacional, Beto Simonetti, disse que condutas contrárias à liberdade do eleitor “devem ser devidamente apuradas”. A nota não cita Flávio nem a decisão de Zanin.

A direita se divide

Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, criticou a decisão de Zanin. Em postagem no X, ele escreveu: “Pra que o TSE se monocraticamente um único Ministro do STF pode mudar as regras do jogo…”

O senador Rogério Marinho, líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, falou em “intervenção” de ministros do STF. Ele disse esperar que “qualquer golpe judiciário ou chicana administrativa não prospere pelo bem da democracia”.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) disse em vídeo, na segunda-feira (26): “Conhecendo o nosso país, a chance de anular essa eleição é praticamente nula.” Ele pediu que apoiadores não protestem.

Ronaldo Caiado (PSD) reconheceu a derrota: “Como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria e à decisão da apuração.” Romeu Zema (Novo) disse: “Essa foi a eleição mais alarmante que eu já vi no Brasil.” Segundo a CNN Brasil, ele acusou um suposto golpe na condução do pleito.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não se manifestou publicamente, segundo a Exame. Aliados dizem que ele não vai contestar o resultado, mas evita um confronto com Flávio. Não localizamos declaração pública de Ratinho Júnior sobre o resultado.

Até as 13h de segunda-feira (26), 15 partidos tinham reconhecido a vitória, entre eles Republicanos, União Brasil, PSD, MDB e Podemos, segundo o Poder360. O PL não havia publicado nota oficial.

O que segue aberto

Em discurso na Avenida Paulista, Lula disse: “Esse é um fato histórico que eu devo ao povo brasileiro.” Os trechos publicados pela Agência Gov não registram resposta direta à recusa de Flávio.

Na próxima legislatura, o PL terá a maior bancada do Senado, com 28 das 81 cadeiras, segundo a Rádio Senado. Uma PEC precisa de 49 votos, três quintos da Casa. Assim, 28 senadores não barram sozinhos uma proposta de emenda à Constituição.

Até a publicação, não localizamos pedido de anulação protocolado na Justiça Eleitoral. Segundo a InfoMoney, as acusações sobre a sala-cofre ainda não foram comprovadas.

Como fizemos: Reunimos declarações publicadas entre a noite de 25/10 e a segunda-feira, 26/10/2026, acessadas em 26/10/2026. Os percentuais são os divulgados pelo TSE e citados pela Agência Brasil. A conta sobre o Senado é nossa: com 81 senadores, uma PEC precisa de 49 votos favoráveis, e 33 votos contrários já impedem isso. Os 28 do PL ficam abaixo de 33. Não reunimos a íntegra de todos os discursos citados.

Fontes