Radar e Basômetro medem a base do governo, voto a voto

Os índices de governismo medem quantas vezes um parlamentar vota como o governo orienta, e o Radar e o Basômetro contam isso de formas diferentes.

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Painel eletrônico do Plenário do Senado mostra a orientação de cada partido e a contagem da votação em andamento, com 16 votos sim e 42 não.
Painel eletrônico do Plenário do Senado com a orientação das lideranças e a votação em andamento, em sessão de maio de 2025.Foto: Andressa Anholete / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 2023, o índice geral de governismo da Câmara foi de 73%. O número é do Radar do Congresso, ferramenta do Congresso em Foco que acompanha como cada parlamentar vota em relação ao governo federal.

Quando se fala em “base do governo”, a conta costuma ser feita com números como esse. Mas o que cada índice mede, exatamente? Governismo é a taxa de vezes em que um parlamentar vota como o governo pede. Quem segue a orientação sobe no índice. Quem vota diferente, ou deixa de votar, perde pontos.

Orientação não é voto

Antes de cada votação, o líder de cada bancada diz no plenário como seus deputados devem votar. Essa é a orientação de bancada. O líder do governo na Câmara faz o mesmo para os aliados do Palácio do Planalto.

O painel eletrônico do plenário guarda esses dados. Segundo o Glossário Legislativo do Congresso, ele é um “equipamento eletrônico instalado no plenário ou nas comissões para registro dos votantes”. O painel também registra as orientações, os votos individuais e a presença.

Por isso, a base pode ser medida de duas formas: pelo que o líder pede ou pelo que cada parlamentar faz.

Como os dois índices contam

O Basômetro, do Estadão Dados, mede a “taxa de governismo” pelo alinhamento às orientações do líder do governo. Em reportagem de 2015, o Estadão explicou que quem vota sempre como o líder fica com 100. Quem acompanha o líder em metade das votações fica com 50.

O Radar usa as votações nominais, em que o voto de cada parlamentar fica registrado pelo nome. Segundo o Congresso em Foco, qualquer resposta diferente da orientação diminui o índice. Isso inclui sim, não, abstenção e falta. Em 2023, PT e PCdoB (Partido Comunista do Brasil) chegaram a 97%, e o Novo ficou com 19%.

Pelo critério do Radar, faltar também custa pontos. Um deputado que sempre segue o governo, mas falta muito, não chega a 100.

Os números dos dois veículos não são comparáveis entre si, porque medem recortes e períodos diferentes. Mesmo assim, eles mostram como o índice se move ao longo do tempo.

Governismo caiu de 78 para 65 pontos entre 2011 e 2015 Índices publicados por cada veículo, por ano da medição

Medição Índice Recorte
2011 78 pontos Basômetro, média dos 299 deputados que se reelegeram em 2014
2015 (até outubro) 65 pontos Basômetro, mesmos 299 deputados
2019 (desde a posse) 76% Basômetro, governo Bolsonaro
2023 73% Radar do Congresso, Câmara inteira

Fonte: Estadão Dados (Basômetro), Poder360 e Congresso em Foco. Medições de métodos e recortes diferentes, não comparáveis entre si. Elaboração: redação.

Em 2015, a média dos 299 deputados caiu de 78 para 65 pontos até outubro, segundo o Estadão. Em 2019, o Basômetro mostrou que o governo Bolsonaro deixou de orientar seus aliados em 31% das votações nos primeiros cinco meses, segundo o Poder360. Nessas votações, não há orientação para comparar.

O que diz o Congresso em Foco: Segundo a reportagem de 30 de janeiro de 2024, o Radar “monitora o comportamento dos parlamentares do Congresso Nacional”. A redação não enviou perguntas ao site para esta explicação.

O que isso significa

Nenhum dos índices mostra o motivo de um voto. Um voto contrário pode ter muitas causas, e o número não as registra. O índice mostra o resultado, não a razão.

Para acompanhar a base de qualquer governo, vale olhar três dados juntos: a orientação, o voto e a presença. O painel de votações do plenário reúne essas informações. Os índices de governismo ajudam, mas não substituem a leitura da votação.

Como fizemos: Usamos o índice do Radar do Congresso para a Câmara em 2023, publicado pelo Congresso em Foco em 30/1/2024; a taxa do Basômetro, publicada pelo Estadão em 2/11/2015; e o dado do Basômetro citado pelo Poder360 em 9/6/2019. Todos os textos foram acessados em 27/10/2026. Não recalculamos nenhum índice e não abrimos a metodologia atual do Basômetro, por isso a descrição dele vem de reportagem de 2015. Os números não mostram o motivo de cada voto.

Fontes