Ibovespa cai 13,88% e ninguém sabe se o fundo chegou
Após a queda de 13,88% do Ibovespa, o histórico mostra que pânicos podem se aprofundar e que ninguém acerta o fundo com precisão.

Na segunda-feira (26), o Ibovespa caiu 13,88% e fechou aos 176.608,23 pontos. Foi a maior queda desde a pandemia, segundo a CNN Brasil. O dólar fechou perto de R$ 5,40.
O Ibovespa é o principal índice da B3, a bolsa de valores de São Paulo. A queda veio no primeiro pregão depois do segundo turno da eleição presidencial.
A pergunta que todo investidor faz agora é se o pior já passou. Ninguém sabe a resposta.
Segundo a Rumo News, o movimento desfez apostas feitas nas semanas anteriores numa vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Quedas que continuaram
Em 1929, o Dow Jones, índice das 30 grandes empresas industriais dos EUA, atingiu o pico em 3 de setembro. Antes do fundo, já tinha caído quase 13% na segunda-feira, 28 de outubro.
O índice continuou caindo até 8 de julho de 1932, quando fechou em 41,22 pontos. Foi 89% abaixo do pico. Só voltou ao nível de 1929 em 23 de novembro de 1954, segundo o Federal Reserve History.
Em março de 2000, o Nasdaq, índice que reúne sobretudo empresas de tecnologia dos EUA, fechou em recorde de 5.048,62 pontos. Em outubro de 2002, chegou a 1.114,11 pontos, uma queda de 78%. Voltou ao pico só em 23 de abril de 2015, segundo a BizNews.
Entre 2007 e 2009, o S&P 500, que reúne cerca de 500 grandes empresas dos EUA, caiu 56,8%. Foi de 1.565,15 pontos, em 9 de outubro de 2007, para 676,53, em 9 de março de 2009. O recorde só voltou em 28 de março de 2013, segundo a PRI.
No Brasil, o Ibovespa caiu 41,22% em 2008, segundo o Diario Financiero.
Quedas verificadas e quando o pico voltou
Queda do pico ao fundo, ou no dia citado, e data em que o pico voltou, em valores de fechamento
| Episódio | Queda | Voltou ao pico |
|---|---|---|
| Dow Jones, 1929–1932 | 89% | 23/11/1954 |
| Nasdaq, 2000–2002 | 78% | 23/04/2015 |
| S&P 500, 2007–2009 | 56,8% | 28/03/2013 |
| Ibovespa, 2008 | 41,22% no ano | Data não apurada nesta reportagem |
| Americanas, janeiro de 2023 | 77% em um dia | Não voltou |
| Ibovespa, 26/10/2026 | 13,88% em um dia | Ainda não se sabe |
Fonte: Federal Reserve History (Dow Jones); Wikipedia em inglês e BizNews (Nasdaq); Wikipedia em inglês e PRI (S&P 500); Diario Financiero (Ibovespa 2008); Forbes Brasil (Americanas); Money Times e Rumo News (Ibovespa de 26/10/2026). Elaboração: redação.
Nos três índices dos EUA da tabela, o pico levou entre 17 e 34 meses para virar fundo. Em nenhum deles o primeiro tombo foi o fundo.
Ninguém acerta o fundo com precisão
Quem tenta comprar no ponto mais baixo costuma errar o momento. A Morningstar, empresa de pesquisa de fundos, compara o retorno dos fundos com o que os investidores de fato ganharam.
Na edição de 2025 do estudo Mind the Gap, com dados até 31 de dezembro de 2024, o dinheiro médio aplicado em fundos ganhou cerca de 7,0% ao ano em dez anos. Os fundos renderam 8,2%. A diferença de 1,2 ponto percentual por ano equivale a cerca de 15% do retorno total.
Essa diferença mostra o custo de entrar e sair no momento errado.
Quando o risco aumenta
Alavancagem é comprar com dinheiro emprestado. Se o preço cai, a perda pode superar o dinheiro próprio aplicado.
Margem é a garantia que o investidor deixa com a corretora para operar com crédito. Quando a garantia perde valor, a corretora pode pedir mais dinheiro, a chamada de margem. Sem caixa, a posição é vendida à força, no pior preço.
Concentração é ter muito dinheiro em um só papel. Em janeiro de 2023, as ações da Americanas caíram 77% no pregão seguinte ao anúncio de inconsistências contábeis, segundo a Forbes Brasil. Em 19 de janeiro, a empresa pediu recuperação judicial, processo em que a Justiça dá prazo para renegociar dívidas. Um ano depois, o valor de mercado era de R$ 783 milhões, queda de 92,7%, segundo a Forbes Brasil.
Liquidez é precisar do dinheiro na hora da queda. Quem precisa vender para pagar uma conta aceita o preço que houver.
O que diz a Nomad: Segundo o Money Times, a analista Rebecca Nossig atribuiu a queda ao descompasso entre as expectativas do mercado e o resultado das urnas. A reportagem não cita prazo para uma recuperação.
O que isso significa
Hoje não se sabe se 26 de outubro de 2026 foi o fundo. Nos próximos dias, o Federal Reserve, banco central dos EUA, decide os juros em 28 de outubro. O Copom, comitê que define a taxa básica de juros do Brasil, decide em 4 de novembro, segundo a Rumo News.
Para quem investe, as perguntas úteis são outras. Qual é o prazo do dinheiro? Quanto de queda a pessoa aguenta sem vender? Existe reserva de emergência fora das aplicações? Essas respostas pesam mais que o índice de um dia.
Os ativos podem perder valor, e os pânicos podem se aprofundar. Este texto não indica compra nem venda.
Como fizemos: Usamos o fechamento do Ibovespa (176.608,23 pontos, em queda de 13,88%) e o nível do dólar (R$ 5,4029), publicados pelo Money Times e pela Rumo News em 26/10/2026 e acessados no mesmo dia. Os sites divergiram sobre a variação do dólar, por isso citamos só o nível. As demais cifras vêm das fontes listadas, acessadas em 26/10/2026. Os prazos de 17 a 34 meses são nosso cálculo entre as datas de pico e fundo. Dados passados não mostram o que acontecerá depois.
Fontes
- Ibovespa desaba 13,88%, fecha a 176.608 pontos — Money Times
- Ibovespa desaba 13,88%, fecha a 176.608 pontos no pior dia em seis anos — Rumo News
- Dólar sobe 8% e Bolsa tem maior queda desde a pandemia após vitória de Lula — CNN Brasil
- Stock Market Crash of 1929 — Federal Reserve History
- Dot-com bubble — Wikipedia em inglês
- Nasdaq shakes off dot-com losses, 15 years later — BizNews
- United States bear market of 2007–2009 — Wikipedia em inglês
- S&P 500 closes at 1569, a new record high — PRI
- Bolsa de Sao Paulo perdió durante el año un 41,22% — Diario Financiero
- Um ano do caso Americanas: do declínio bilionário à recuperação judicial — Forbes Brasil
- Americanas entra com pedido de recuperação judicial — Mercado&Consumo
- Morningstar: Investors Miss Out on 15% of Fund Total Returns — Wealth Management
- Crowds gathering outside New York Stock Exchange (3) — Wikimedia Commons (Associated Press, domínio público)
