PL Antifacção: Flávio votou sim, e o imposto sobre as bets caiu na Câmara

O Senado aprovou o PL Antifacção por 64 a 0, com o voto de Flávio; na Câmara, o imposto sobre as bets saiu do texto, e a posição dele não foi encontrada.

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O presidente Lula assina documento sentado a uma mesa de reunião, ao lado de ministros, com um mapa-múndi e um crucifixo na parede ao fundo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina o Projeto de Lei Antifacção, elaborado pelo governo, no Palácio do Planalto, em Brasília, em 2025 (imagem de arquivo).Foto: Ricardo Stuckert / PR / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em dezembro de 2025, o Senado aprovou o PL Antifacção por 64 votos a 0. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou sim, segundo a Gazeta do Povo. Na Câmara dos Deputados, porém, o projeto perdeu uma peça: o imposto sobre as empresas de apostas on-line, as bets.

O voto de Flávio está no placar e deve ser reconhecido. O que não aparece no registro é a posição dele sobre o imposto que caiu. Nenhuma declaração do senador sobre a taxa das bets foi encontrada.

O que o projeto fazia

O PL Antifacção endurece o combate às facções criminosas. O projeto passou pelas duas Casas do Congresso. Depois do Senado, a Câmara votou o texto, já com mudanças.

No Senado, a votação foi unânime. Num tema como esse, votar contra seria difícil de explicar para qualquer senador. O voto de Flávio acompanhou os outros 63.

Onde o imposto caiu

A diferença apareceu na Câmara. Lá, o Centrão retirou do texto a cobrança sobre as bets, relatou a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles. Segundo a coluna, o governo Lula fez “vista grossa” à manobra.

É preciso registrar as duas partes. O imposto caiu com o empurrão do Centrão e sem resistência do governo, segundo o Metrópoles. Não há registro de Flávio defendendo a taxa, nem de Flávio a atacando.

O resultado é que o projeto contra as facções seguiu sem a cobrança sobre as empresas de apostas. Foi essa parte, a que mexia com dinheiro, que saiu.

Duro na favela, vago na Faria Lima

O silêncio sobre as bets combina com o resto do programa do candidato. O plano de segurança de Flávio usa a força contra as facções armadas. Propõe declarar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as milícias “narcoterroristas”, com bens congelados, segundo o Metrópoles.

O plano diz ainda que o criminoso armado com fuzil deve ser “abatido” e prevê cinco presídios de segurança máxima no modelo de El Salvador, segundo o SBT News. Para o lado do dinheiro, a proposta é muito mais vaga.

Em 18 de junho de 2026, num evento na Faria Lima, Flávio pediu ao mercado financeiro que ajudasse a asfixiar financeiramente os grupos narcoterroristas. Seu aliado Derrite falou em combater as “fintechs de fachada”. Nenhuma medida concreta foi apresentada, segundo a Gazeta do Povo.

Não foram dadas propostas específicas para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o órgão que rastreia movimentações suspeitas. Também não houve propostas para a Receita Federal ou para regular as fintechs.

Onde está o dinheiro do crime

O dinheiro do crime organizado já foi rastreado pela Polícia Federal (PF) em lugares bem distantes da favela. Em agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto cumpriu mais de 350 mandados em oito estados. Mais de mil postos de combustíveis movimentaram cerca de R$ 52 bilhões, segundo o Poder360.

Na mesma operação, uma fintech que funcionava como “banco paralelo” movimentou mais de R$ 46 bilhões, segundo o Poder360. Fundos sob investigação somavam cerca de R$ 30 bilhões.

Depois da operação, a Receita Federal disse que a revogação, em janeiro de 2025, da regra que obrigava fintechs a informar movimentações havia enfraquecido a fiscalização. A regra voltou, segundo a Agência Brasil. O Banco Central também limitou a R$ 15 mil as transferências por Pix e TED feitas por empresas de pagamento sem autorização, relatou a CNN Brasil. Não foram encontrados votos ou declarações de Flávio sobre essa revogação, sobre os poderes do Coaf ou sobre projetos para regular as fintechs.

É importante ser exato: nenhuma reportagem liga o dinheiro de Flávio ao PCC. A crítica aqui é de prioridade. O candidato é duro com quem empunha o fuzil e vago com quem lava o dinheiro.

O que fica para o eleitor

O placar de 64 a 0 mostra que Flávio votou como todos os colegas. O que o distinguiria seria a defesa da parte mais difícil do projeto, a que mexia no dinheiro. Essa defesa não aparece no registro.

No dia 25 de outubro, o eleitor que quer combate ao crime organizado tem uma pergunta para fazer. Quem vai seguir o dinheiro, das bets às fintechs? Pelo que está documentado, o programa de Flávio ainda não respondeu.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele votou a favor do PL Antifacção e defende declarar o PCC, o CV e as milícias organizações narcoterroristas, com bens congelados. No evento da Faria Lima, pediu ao mercado que ajude a sufocar financeiramente esses grupos; sua posição sobre o imposto das bets não foi encontrada.

Fontes