Eleições contestadas em 1930, 1955, 2014 e 2022 e seus desfechos

Em 1930, 1955, 2014 e 2022, resultados presidenciais foram contestados. Veja quem questionou cada um e como cada caso terminou.

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Fachada curva de vidro escuro do prédio do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, com duas cúpulas brancas em primeiro plano.
Sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, tribunal que julgou os pedidos de contestação de 2014 e de 2022.Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 1930, 1955, 2014 e 2022, candidatos ou partidos contestaram resultados de eleições presidenciais. Em dois casos, a disputa terminou em revolta ou movimento militar. Nos outros dois, a Justiça Eleitoral manteve o resultado.

Ano Quem contestou Como terminou
1930 Aliança Liberal, de Getúlio Vargas (fraude) Revolta; Washington Luís deposto
1955 União Democrática Nacional (UDN) (falta de maioria absoluta) Movimento militar; Juscelino Kubitschek empossado
2014 Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) (auditoria) Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou por unanimidade
2022 Partido Liberal (PL) (anulação de votos) TSE rejeitou; multa de R$ 22,9 milhões

Fontes: listadas abaixo. Elaboração: redação.

1930: fraude dos dois lados

Em 1º de março de 1930, Júlio Prestes venceu Getúlio Vargas. A Aliança Liberal denunciou fraude e não aceitou o resultado. Segundo a Wikipédia, as acusações de fraude foram mútuas.

Em 24 de outubro, uma junta militar depôs o presidente Washington Luís. Em 3 de novembro, Vargas assumiu o Governo Provisório, e Júlio Prestes não chegou a governar.

1955: maioria absoluta e movimento militar

Em 3 de outubro de 1955, Juscelino Kubitschek venceu com 35,68% dos votos, segundo a Wikipédia em inglês. A UDN alegou que ele não tinha maioria absoluta. A mesma fonte diz que o TSE já havia decidido que a maioria simples bastava.

Em 8 de novembro, o presidente Café Filho, doente, passou o cargo a Carlos Luz. Em 11 de novembro, o marechal Henrique Teixeira Lott liderou um movimento militar. Luz deixou o cargo, e Nereu Ramos assumiu a presidência. Kubitschek tomou posse em janeiro de 1956.

2014 e 2022: o caminho do tribunal

Em 26 de outubro de 2014, Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB) no segundo turno. Em 30 de outubro, o PSDB pediu ao TSE uma auditoria. Em 4 de novembro, o tribunal negou o pedido por unanimidade. O relator, ministro Dias Toffoli, disse: “Tudo aquilo que está pedido já foi previamente garantido, com grande antecedência em relação à data das eleições.”

Em 2015, o PSDB concluiu que “não houve fraude no processo”, mas afirmou que o sistema “não permite a plena auditagem”, segundo a Exame.

Em 30 de outubro de 2022, Lula venceu Bolsonaro por 50,9% a 49,1%, segundo a Folhapress. Em 1º de novembro, Bolsonaro fez um pronunciamento de pouco mais de dois minutos. Ele agradeceu “os 58 milhões de brasileiros que votaram em mim”, mas não reconheceu a derrota, segundo a CUT.

Em 22 de novembro, o PL pediu ao TSE a anulação do segundo turno, alegando defeito em cerca de 260 mil urnas. O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, negou o pedido e viu má-fé: o partido não contestou o primeiro turno, feito com as mesmas urnas. A multa de R$ 22,9 milhões ficou com o PL. Em dezembro, o plenário do TSE confirmou a multa por unanimidade. Em 8 de janeiro de 2023, manifestantes invadiram as sedes do Congresso, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto, segundo a Jovem Pan.

O que diz Jair Bolsonaro: Em 1º de novembro de 2022, ele agradeceu os votos e não reconheceu a derrota, segundo a CUT. Nas fontes que consultamos, não há reconhecimento posterior do resultado.

Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. O placar foi de 4 a 1, com Luiz Fux pela absolvição. Segundo a Agência Brasil, o trânsito em julgado foi reconhecido após o prazo de recursos, encerrado em 24 de novembro. A defesa disse que o trânsito é um erro e vai recorrer, segundo a InfoMoney.

O que isso significa

Em 1930 e 1955, a decisão saiu da força: uma revolta e um movimento militar. Em 2014 e 2022, saiu de um tribunal, com decisões públicas que qualquer pessoa pode ler.

O caso mais recente ainda está em aberto. Na noite de domingo (25), Flávio Bolsonaro (PL) disse que é “impossível reconhecer o resultado dessa eleição” e que vai pedir a anulação, segundo o InfoMoney. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21%. Até a publicação deste texto, as reportagens consultadas não registravam pedido protocolado nem decisão da Justiça Eleitoral.

Como fizemos: Usamos reportagens, a Wikipédia e os documentos listados em Fontes, acessados em 26/10/2026. Os votos e percentuais vêm das fontes indicadas. Em 1930, as fontes divergem nos números de votos, por isso não os citamos. A data de 22/11/2022 é inferida de uma reportagem que diz que o PL agiu “na terça-feira”.

Fontes