Flávio votou a favor da reforma da Previdência de 2019

No primeiro ano de mandato, Flávio votou sim à PEC 6/2019, aprovada por 60 a 19 no Senado; em 2026, sua equipe estudou segurar o reajuste do INSS.

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A senadora Zenaide Maia fala ao microfone, sentada à bancada da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, com outros participantes ao fundo.
A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) fala em audiência pública da CCJ do Senado que instruiu a PEC 6/2019, a reforma da Previdência, em 22 de agosto de 2019 (imagem de arquivo).Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

No dia 22 de outubro de 2019, o Senado aprovou em segundo turno a reforma da Previdência, por 60 votos a 19. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estava entre os 60. O voto consta da lista divulgada pela Agência Senado.

A reforma era a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, que mudou as regras de aposentadoria do país. Flávio estava no primeiro ano de mandato. Sete anos depois, candidato a presidente no segundo turno, ele promete aos aposentados o que a própria equipe estudou cortar.

O placar de 2019

Para aprovar uma PEC, o Senado precisa de pelo menos 49 votos, três quintos da Casa. A reforma passou com 60, folga de 11 votos. Flávio votou sim no momento decisivo, o segundo turno, quando o texto foi fechado no Senado.

O voto não é segredo nem acusação: está no painel e na lista oficial. Para o eleitor, ele mostra de que lado o senador ficou quando a regra da aposentadoria mudou. A pergunta agora é o que ele faria com o sistema se chegasse ao Palácio do Planalto.

Os votos seguintes

O registro de Flávio sobre benefícios sociais não termina em 2019. Em março de 2020, o Congresso derrubou o veto de Jair Bolsonaro à ampliação do acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). O BPC é o benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

O placar no Senado foi de 45 a 14 pela derrubada, confirma a Agência Senado. O ICL Notícias, veículo de esquerda, afirma que Flávio estava entre os 14 que votaram para manter o veto do pai. O voto individual dele, porém, não foi confirmado pela Agência Senado. Por isso, o Vigília registra a informação apenas como relato do ICL.

Em março de 2021, Flávio votou sim à PEC Emergencial, segundo o Correio Braziliense. Antes da votação, os senadores retiraram do texto o fim dos pisos de saúde e educação. Os pisos são os gastos mínimos que a Constituição obriga o governo a fazer nessas áreas.

Da urna de 2019 à planilha de 2026

Em outubro de 2026, a Folha revelou que a equipe econômica de Flávio discutiu cortes de cerca de R$ 250 bilhões. O pacote incluía reajustar aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o BPC só pela inflação, relatou a IstoÉ Dinheiro. Na prática, os aposentados perderiam o ganho acima da inflação.

O mesmo estudo previa corrigir os pisos de saúde e educação só pela inflação, e não mais pela arrecadação. É a área que os senadores pouparam na PEC Emergencial de 2021. Segundo a reportagem, a ideia era aprovar tudo numa “Super PEC” antes mesmo da posse.

A campanha disse que os estudos não são sua posição oficial. O candidato negou todos os pontos em público. No dia 8 de outubro, prometeu reajuste acima da inflação e chamou a reportagem de “fake news” do PT, segundo o Poder360.

O que é verdade e o que não é

Há também mentiras circulando contra ele, e é preciso dizer quais. É falso que Flávio vá acabar com o BPC e o 13º salário ou elevar a idade de aposentadoria para 75 anos, mostrou a checagem do TMC.

O que está documentado é suficiente. Flávio votou a reforma de 2019. Sua equipe estudou, em 2026, tirar dos aposentados o reajuste acima da inflação. O coordenador da campanha, Rogério Marinho, defendeu em março, em entrevista à Folha, uma nova reforma da Previdência.

Por que importa

O aposentado que ganha um salário mínimo tem o voto de 2019 para conferir na lista do Senado. Tem também a promessa de 2026 e a planilha da equipe para comparar. No dia 25, ele decide qual das três versões pesa mais.

Promessa de campanha muda com facilidade. O placar de 60 a 19, com o nome de Flávio entre os votos favoráveis, não muda. Para quem quer saber como o candidato trata a aposentadoria, o registro mais confiável é o que ele já fez.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele nega que vá cortar aposentadorias e promete reajuste acima da inflação, chamando a reportagem sobre os estudos de “fake news” do PT, segundo o Poder360. A campanha afirma que as medidas discutidas pela equipe não são sua posição oficial.

Fontes