Marinho quer "revisitar" a Previdência

O coordenador da campanha de Flávio defendeu em março uma nova reforma da Previdência; em outubro, a equipe estudou limitar o reajuste de aposentados.

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O senador Rogério Marinho fala a jornalistas diante de um púlpito com microfones, cercado por parlamentares de terno, no Senado Federal.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, concede entrevista no Senado Federal em 3 de dezembro de 2025 (imagem de arquivo).Foto: Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em março de 2026, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, disse à Folha de S.Paulo que o sistema de aposentadorias terá de ser “revisitado”. Na entrevista, ele defendeu uma nova reforma da Previdência num eventual governo Flávio. A conversa foi reproduzida depois em um blog.

A palavra parece técnica, mas tem endereço certo. Quem depende do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já passou por uma reforma em 2019, aprovada no Senado com o voto de Flávio. Marinho fala em voltar ao tema.

Do “revisitar” à planilha

Em outubro, a ideia ganhou números. A Folha publicou nos dias 7 e 8 as conversas internas da equipe econômica de Flávio. Segundo o jornal, o grupo discutiu cortes obrigatórios de cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), algo como R$ 250 bilhões. O PIB é a soma de tudo o que o país produz em um ano.

O pacote estudado incluía reajustar aposentadorias do INSS e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) só pela inflação. O BPC é o benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. A conta também previa corrigir os pisos de saúde e educação só pela inflação, relataram a IstoÉ Dinheiro e o Estado de Minas.

O plano era aprovar tudo numa “Super PEC” antes da posse, segundo a reportagem. PEC é a proposta de emenda à Constituição. A campanha respondeu que a medida não é sua posição oficial.

Quem paga a conta

O alvo da conta fica claro quando se olha quem recebe o INSS. Cerca de 70% dos beneficiários ganham um salário mínimo, segundo a BBC News Brasil. Por isso, mexer no reajuste do mínimo é mexer na renda da maior parte dos aposentados.

A mesma análise da BBC mostra o tamanho do problema. Corrigir o salário mínimo só pela inflação economizaria de R$ 15 bilhões a R$ 16 bilhões no primeiro ano. É cerca de 6% da meta de R$ 250 bilhões. O resto teria de sair, em grande parte, das aposentadorias.

No dia 13 de outubro, outra proposta chegou às mãos do candidato. Entidades empresariais, entre elas a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), entregaram um plano com idade mínima de aposentadoria de 67 anos para homens e mulheres. O texto também desvinculava benefícios do salário mínimo, segundo a Folha de Pernambuco.

O presidente de honra de uma das entidades, a FIL Brasil, é o ex-ministro Paulo Guedes. Flávio não endossou o documento, e a campanha o chamou de informal.

O que o candidato diz agora

Diante da repercussão, Flávio negou cada ponto. No dia 8, prometeu reajuste acima da inflação para os aposentados e chamou a história de “fake news” do PT, segundo o Poder360. No dia 16, disse que vai manter o ganho real do salário mínimo e não vai desvincular aposentadorias, relatou o InfoMoney.

As negativas contam e precisam ser registradas. Também é falso que ele pretenda acabar com o BPC e o 13º salário ou elevar a idade de aposentadoria para 75 anos. Essas mensagens circularam nas redes e foram desmentidas.

O problema é outro. As negativas são do candidato; o “revisitar” é do homem que coordena a campanha. Os estudos de R$ 250 bilhões são da equipe econômica. Entre a palavra de Flávio e a planilha de seus auxiliares, o eleitor precisa decidir em qual acreditar.

O que fica para o eleitor

Marinho não falou em segredo: deu entrevista a um dos maiores jornais do país, sete meses antes da eleição. Ninguém na campanha o desautorizou publicamente no material consultado por esta reportagem. Diante da reportagem sobre os estudos, a campanha respondeu apenas que eles não representam a posição oficial. E Flávio já votou uma reforma da Previdência, em 2019.

Em 25 de outubro, o aposentado que ganha um salário mínimo vai votar sabendo disso. O coordenador quer revisitar o sistema, a equipe estudou segurar o reajuste e o candidato promete o contrário. A conta, se vier, cai sobre quem tem menos margem para pagá-la.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele nega qualquer corte e promete reajuste acima da inflação para aposentados, chamando a reportagem de “fake news” do PT, segundo o Poder360. No dia 16, afirmou que manterá o ganho real do salário mínimo e não desvinculará as aposentadorias; a campanha diz que os estudos da equipe não são sua posição oficial.

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