43% de faltas: Flávio está entre os senadores mais ausentes de 2026

Levantamento da Folha contou 49 votações nominais do Senado até 22 de junho: Flávio não votou em 43%, contra média de 20% da Casa.

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Plenário do Senado Federal em sessão não deliberativa que não chegou a ser aberta por falta de quórum.
Plenário do Senado Federal em sessão não deliberativa que não foi aberta por falta de quórum, em 16 de novembro de 2017 (imagem de arquivo).Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou de votar em 43% das votações nominais do Senado em 2026. O levantamento é da Folha, feito sobre os registros públicos da Casa e publicado pelo Estado de Minas. Ele contabiliza as 49 votações nominais realizadas até 22 de junho.

O índice é mais que o dobro da média da Casa: 20% entre os 81 senadores. Segundo o Estado de Minas, Flávio é o quinto parlamentar que menos registrou voto no período, empatado com outros quatro. O candidato do PL à Presidência disputa o segundo turno com o presidente Lula em 25 de outubro.

O placar das faltas

Votar é o ato mais básico de um mandato no Senado. A votação nominal é a única em que o eleitor consegue conferir o que seu representante fez. Nela, cada senador registra a escolha no painel, e o sistema da Casa guarda nome e voto. Foram 14 sessões com votações nominais entre 24 de fevereiro e 16 de junho.

O levantamento contou as sessões a que Flávio faltou e as votações em que marcou presença, mas não registrou voto. As votações simbólicas, em que ninguém registra voto nominal, foram descartadas. Ausências justificadas, como missão oficial e licença por saúde, ficaram fora do cálculo.

O Estado de Minas listou os episódios. Presente, mas sem votar, o senador ficou na PEC (proposta de emenda à Constituição) da Política Nacional de Apoio à Atividade de Transporte Rodoviário Profissional. Também não votou o projeto complementar que adequou o Orçamento à nova licença-paternidade.

Flávio também faltou à sessão que aprovou indicações de autoridades, entre elas a do novo presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Otto Lobo. E à sessão que isentou entidades filantrópicas de imposto de renda.

A ausência em votação decisiva não começou em ano eleitoral. Em 27 de setembro de 2023, Flávio faltou à votação do marco temporal das terras indígenas, aprovada por 43 votos a 21. O nome dele consta como ausente na lista nominal da sessão.

Flávio foi eleito senador em 2018 com mais de 4 milhões de votos, o mais votado daquela disputa no Rio. O Estado de Minas relaciona as ausências de 2026 à agenda de pré-campanha: viagens ao exterior e atos pelo país desde dezembro.

Um placar que o eleitor pode conferir

Quando comparece, o voto de Flávio fica registrado. Ele votou a favor da reforma da Previdência, aprovada por 60 votos a 19 em 2019. Na quarta-feira (14), votou a favor, nos dois turnos e a distância, da PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1. O placar foi 75 a 1, segundo o Exame. O registro da sessão mostra que o senador podia votar sem estar em Brasília.

Empataram com o candidato, em 43% de ausências, os senadores Cleitinho (Republicanos-MG), Eduardo Gomes (PL-TO), Dorinha Seabra (União Brasil-TO) e Wellington Fagundes (PL-MT), lista o Estado de Minas. Nenhum deles disputa a Presidência.

Outros citados no ranking de ausências responderam ao jornal, atribuindo as faltas a agendas institucionais e à articulação política. O gabinete de Flávio não respondeu.

As faltas também são públicas. O portal do Senado publica cada votação nominal em dados abertos, com nome e voto, e permite a busca por senador, por matéria e por período. Quem quiser conferir encontra cada sessão com data, pauta e o registro do voto.

O Vigília já mostrou o passo a passo para checar o histórico de qualquer parlamentar — e o que as ausências dizem de um mandato. É a mesma base de dados que sustenta esta cobertura.

O registro não deixa margem a estimativa. Cada ausência tem data, pauta e sessão. Em ano eleitoral, o candidato que pede o comando do país deixou de votar em quase metade das votações do próprio mandato. É o placar que o eleitor tem em mãos antes de 25 de outubro — e uma pergunta que o gabinete, procurado pela Folha, não respondeu.

O que diz o gabinete de Flávio Bolsonaro: procurado pela reportagem da Folha por e-mail e telefone, o gabinete não respondeu até a publicação do levantamento, em 28 de junho, segundo o Estado de Minas.

Fontes