O coordenador de Flávio foi o relator da reforma trabalhista de 2017

Rogério Marinho relatou a reforma trabalhista de 2017; hoje coordena a campanha de Flávio e defende contrato por hora e nova reforma da Previdência.

Publicado em

Leitura4 min de leitura

O então deputado Rogério Marinho fala ao microfone e aponta com a mão durante audiência pública em comissão do Senado.
O então deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) fala em audiência pública da CCJ do Senado sobre o PLC 38/2017, a reforma trabalhista, em junho de 2017 (imagem de arquivo).Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Rogério Marinho foi o relator da reforma trabalhista de 2017. Hoje senador pelo PL do Rio Grande do Norte, ele coordena a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Na reta final do segundo turno, várias das propostas documentadas sobre trabalho e aposentadoria têm a assinatura ou a voz dele.

O relator é quem escreve o parecer e a versão final de um projeto antes da votação. Em 2017, esse papel coube a Marinho, então deputado. Quase uma década depois, o mesmo nome reaparece no centro da campanha, com uma agenda que vai além daquela reforma.

O que o coordenador defende

Em março de 2026, Marinho disse à Folha de S.Paulo que o sistema de aposentadorias terá de ser “revisitado”. Na entrevista, reproduzida depois em um blog, defendeu uma nova reforma da Previdência num eventual governo Flávio.

Em maio, apresentou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2026, assinada também por Flávio. O texto defende a “liberdade” de o trabalhador escolher a própria carga horária. Segundo o Intercept Brasil, a justificativa liga a jornada flexível a um salário proporcional às horas.

No dia 16 de outubro, a emenda que acaba com a escala 6x1 foi promulgada. Flávio prometeu não revertê-la. Marinho e o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, mantiveram a defesa de um contrato com pagamento por hora em 2027, segundo o Metrópoles.

O que diz o programa

O plano de governo registrado por Flávio tem uma seção chamada “Trabalho que compensa”. Ela propõe que o acordo negociado entre empresa e empregado valha mais do que a lei. Prevê jornada flexível e uma seção com o título “o trabalhador primeiro, não o sindicato”.

O plano também cria um contrato mais barato para o primeiro emprego, dos 18 aos 24 anos. E promete uma revisão ampla das regras trabalhistas e previdenciárias, segundo o SBT News. O texto afirma que o custo da contratação formal vai cair “sem retirar direitos”.

Marinho também fala de outros temas da campanha. Em agosto, disse à CNN Brasil que não há plano para privatizar a Petrobras, mas não descartou a venda de ativos da empresa. No fim do mesmo mês, afirmou que a Selic, a taxa básica de juros, poderia chegar a 12% ou 13% se o controle fiscal viesse cedo.

O voto do candidato

Flávio não é um estranho a essa agenda. Em 1º de setembro de 2021, votou a favor da Medida Provisória (MP) 1.045, conhecida como “minirreforma trabalhista”. O Senado rejeitou a MP por 47 votos a 27, registrou uma coluna do Metrópoles.

O título da coluna cita Renan Filho e resume a crítica: Flávio promete direitos, mas votou contra eles. A MP caiu no plenário, e com ela a proposta que o senador apoiou.

É preciso, porém, ser exato sobre o que o plano não diz. Não há proposta de contratar trabalhadores como pessoa jurídica (PJ), a chamada pejotização. A agenda documentada é a dos contratos por hora e flexíveis, do negociado acima da lei e dos sindicatos mais fracos.

O voto que contradiz a agenda

Há um fato que joga a favor de Flávio, e ele precisa ser dito. No dia 14 de outubro, o senador votou sim ao fim da escala 6x1, nos dois turnos. A PEC 221/2019 passou por 75 votos a 1, segundo a Exame.

O voto, porém, veio depois de uma semana em que ele defendia o contrário, ao lado de Marinho. E chegou acompanhado de uma condição: o governo deveria “pagar a conta” dos empregadores. A agenda de longo prazo do coordenador continua de pé.

O que fica para o eleitor

Coordenador de campanha não é figura decorativa. É quem organiza o programa e fala em nome do candidato. Quando ele foi o relator da reforma trabalhista de 2017 e defende revisitar a Previdência, o eleitor sabe de onde vêm as ideias.

No dia 25 de outubro, o trabalhador vai votar com esses registros à mão. A promessa de não reverter o fim da 6x1 é de Flávio. O contrato por hora, a nova reforma da Previdência e a PEC 12/2026 são do homem que ele escolheu para coordenar a campanha.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele promete não reverter o fim da escala 6x1 se for eleito, segundo o Metrópoles. Seu plano de governo afirma que a contratação formal ficará mais barata “sem retirar direitos”.

Fontes