Mães de crianças desaparecidas cobram integração entre polícias

Em audiência na Câmara, mães e advogados de quatro crianças desaparecidas apontaram falta de informações e cobraram integração das polícias.

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Mesa de uma reunião de comissão da Câmara dos Deputados, com a bandeira do Brasil ao fundo, mulheres à mesa e pessoas na plateia.
Reunião de comissão da Câmara dos Deputados, em Brasília, em imagem de arquivo de outro colegiado, e não da audiência sobre desaparecimentos.Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Na quarta-feira (21), a Comissão Externa da Câmara dos Deputados ouviu mães de quatro crianças desaparecidas em três estados. Mães e advogados apontaram falta de informações sobre as investigações e cobraram mais integração entre as forças de segurança.

Um dos relatos traz um prazo concreto. A mãe de Ágatha Isabelly e Allan Michael, desaparecidos em Bacabal (MA), contou que, nove meses depois do sumiço, o inquérito ainda não foi concluído. O inquérito é a investigação formal da polícia. A reportagem não traz a versão das polícias civis sobre os casos.

Contexto

A comissão tem o nome oficial de Comissão Externa de Prevenção e Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil. Comissões externas são grupos temporários criados para tratar de um tema específico. Os desaparecimentos foram levados a esse grupo, que trata da violência sexual contra crianças e adolescentes.

Os quatro casos relatados na audiência Crianças desaparecidas, por caso, segundo a Agência Câmara

Crianças Onde Quando
Ágatha Isabelly (6 anos) e Allan Michael (4 anos) Bacabal (MA), área de quilombo na zona rural Janeiro de 2026
Edson Davi (6 anos) Praia da Barra da Tijuca (RJ) Janeiro de 2024
José Arthur Souza Barros Eldorado do Carajás (PA) Março de 2026

Fonte: Agência Câmara (23/10/2026). Elaboração: redação.

Bacabal: inquérito sem conclusão e tráfico em debate

A advogada da família, Nathaly Moraes, explicou que a polícia, no primeiro momento, apontou duas linhas de investigação. As crianças poderiam ter se perdido na mata ou ter sido vendidas. Para ela, a hipótese de venda muda o caso: “Se eles [policiais civis] estão entendendo que a mãe vendeu as crianças, estamos falando de tráfico de pessoas.”

Ela também questionou por que não houve, naquele momento, um pedido de cooperação à Polícia Federal (PF). Segundo a advogada, é comum culpar as mães em casos parecidos. Às vezes, isso atrasa as investigações.

Rio e Pará: a versão oficial em disputa

Marize Araújo é mãe de Edson Davi, de seis anos, desaparecido em janeiro de 2024. Segundo a reportagem, ela não aceita a hipótese de afogamento que a investigação oficial sustenta. Ela diz que a polícia descartou suspeitos sem investigar e que as câmeras da praia estavam desligadas. Ela acusa uma quadrilha de ter sequestrado o filho.

Marize afirma lutar “por uma investigação digna, justa, com compaixão”. No Pará, Geycyara Souza Gonçalves, mãe de José Arthur, disse não receber respostas satisfatórias sobre as investigações. O advogado da família, Elisson Araújo, vê um problema estrutural. Ele sugeriu coletar a biometria facial, isto é, a identificação pelo rosto, das crianças no nascimento, para evitar falsificação de documentos.

Nathaly Moraes pediu a federalização dos casos de desaparecimento de crianças. Na prática, isso significa que os casos passem a ser tratados pela esfera federal, e não só pelas polícias estaduais.

O que diz o deputado Fernando Rodolfo (PRD-PE), coordenador da comissão externa: Ele reafirmou o compromisso dos parlamentares em continuar acompanhando os casos. Também disse que pretende apresentar proposta para permitir que a Polícia Federal atue nesses casos, sem burocracia, segundo a Agência Câmara. A redação não o consultou diretamente; a posição vem da cobertura da audiência.

O que fica em aberto

Os relatos reúnem queixas de falta de informação, demora e divergência sobre as hipóteses dos casos. O prazo de nove meses vem do relato da mãe de Bacabal, não de um dado oficial. Os quatro casos seguem sem versão policial na reportagem.

A reportagem não informa a data nem o número da proposta do deputado. Ela também não diz se a Polícia Federal já atua em algum dos casos. O que se sabe é que a comissão diz que vai acompanhá-los.

Como fizemos: Usamos a reportagem da Agência Câmara sobre a audiência de quarta-feira (21/10/2026), publicada em 23/10/2026 e acessada em 23/10/2026. Os relatos são das famílias e dos advogados, como registrou a agência; não verificamos sozinhos os fatos das investigações. Não há cálculos nem estatísticas neste texto.

Fontes