Mães de crianças desaparecidas cobram integração entre polícias
Em audiência na Câmara, mães e advogados de quatro crianças desaparecidas apontaram falta de informações e cobraram integração das polícias.

Na quarta-feira (21), a Comissão Externa da Câmara dos Deputados ouviu mães de quatro crianças desaparecidas em três estados. Mães e advogados apontaram falta de informações sobre as investigações e cobraram mais integração entre as forças de segurança.
Um dos relatos traz um prazo concreto. A mãe de Ágatha Isabelly e Allan Michael, desaparecidos em Bacabal (MA), contou que, nove meses depois do sumiço, o inquérito ainda não foi concluído. O inquérito é a investigação formal da polícia. A reportagem não traz a versão das polícias civis sobre os casos.
Contexto
A comissão tem o nome oficial de Comissão Externa de Prevenção e Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil. Comissões externas são grupos temporários criados para tratar de um tema específico. Os desaparecimentos foram levados a esse grupo, que trata da violência sexual contra crianças e adolescentes.
Os quatro casos relatados na audiência Crianças desaparecidas, por caso, segundo a Agência Câmara
| Crianças | Onde | Quando |
|---|---|---|
| Ágatha Isabelly (6 anos) e Allan Michael (4 anos) | Bacabal (MA), área de quilombo na zona rural | Janeiro de 2026 |
| Edson Davi (6 anos) | Praia da Barra da Tijuca (RJ) | Janeiro de 2024 |
| José Arthur Souza Barros | Eldorado do Carajás (PA) | Março de 2026 |
Fonte: Agência Câmara (23/10/2026). Elaboração: redação.
Bacabal: inquérito sem conclusão e tráfico em debate
A advogada da família, Nathaly Moraes, explicou que a polícia, no primeiro momento, apontou duas linhas de investigação. As crianças poderiam ter se perdido na mata ou ter sido vendidas. Para ela, a hipótese de venda muda o caso: “Se eles [policiais civis] estão entendendo que a mãe vendeu as crianças, estamos falando de tráfico de pessoas.”
Ela também questionou por que não houve, naquele momento, um pedido de cooperação à Polícia Federal (PF). Segundo a advogada, é comum culpar as mães em casos parecidos. Às vezes, isso atrasa as investigações.
Rio e Pará: a versão oficial em disputa
Marize Araújo é mãe de Edson Davi, de seis anos, desaparecido em janeiro de 2024. Segundo a reportagem, ela não aceita a hipótese de afogamento que a investigação oficial sustenta. Ela diz que a polícia descartou suspeitos sem investigar e que as câmeras da praia estavam desligadas. Ela acusa uma quadrilha de ter sequestrado o filho.
Marize afirma lutar “por uma investigação digna, justa, com compaixão”. No Pará, Geycyara Souza Gonçalves, mãe de José Arthur, disse não receber respostas satisfatórias sobre as investigações. O advogado da família, Elisson Araújo, vê um problema estrutural. Ele sugeriu coletar a biometria facial, isto é, a identificação pelo rosto, das crianças no nascimento, para evitar falsificação de documentos.
Nathaly Moraes pediu a federalização dos casos de desaparecimento de crianças. Na prática, isso significa que os casos passem a ser tratados pela esfera federal, e não só pelas polícias estaduais.
O que diz o deputado Fernando Rodolfo (PRD-PE), coordenador da comissão externa: Ele reafirmou o compromisso dos parlamentares em continuar acompanhando os casos. Também disse que pretende apresentar proposta para permitir que a Polícia Federal atue nesses casos, sem burocracia, segundo a Agência Câmara. A redação não o consultou diretamente; a posição vem da cobertura da audiência.
O que fica em aberto
Os relatos reúnem queixas de falta de informação, demora e divergência sobre as hipóteses dos casos. O prazo de nove meses vem do relato da mãe de Bacabal, não de um dado oficial. Os quatro casos seguem sem versão policial na reportagem.
A reportagem não informa a data nem o número da proposta do deputado. Ela também não diz se a Polícia Federal já atua em algum dos casos. O que se sabe é que a comissão diz que vai acompanhá-los.
Como fizemos: Usamos a reportagem da Agência Câmara sobre a audiência de quarta-feira (21/10/2026), publicada em 23/10/2026 e acessada em 23/10/2026. Os relatos são das famílias e dos advogados, como registrou a agência; não verificamos sozinhos os fatos das investigações. Não há cálculos nem estatísticas neste texto.
