PF pede mais 90 dias de inquérito sobre Flávio no caso Dark Horse
A PF pediu ao STF mais 90 dias para investigar Flávio no caso Dark Horse. Ele é investigado, não acusado formalmente, e nega irregularidades.

Na sexta-feira (16), a Polícia Federal (PF) pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça mais 90 dias para concluir o inquérito sobre o caso Dark Horse. O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, é investigado nesse inquérito. O prazo inicial terminou em 10 de outubro, e não havia decisão de Mendonça nas reportagens consultadas.
O caso envolve um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, chamado Dark Horse. Segundo o Intercept, o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, se comprometeu a pagar US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. Ao menos US$ 10,6 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, segundo a mesma reportagem.
Como funciona um inquérito contra senador
Inquérito é a fase em que a polícia investiga um fato antes de qualquer acusação em juízo. Investigado é quem é alvo desse inquérito, e a palavra não quer dizer que a pessoa já foi acusada. Como Flávio é senador, a investigação corre no STF, pela regra do foro por prerrogativa de função. Em 2018, o tribunal decidiu que esse foro vale para crimes ligados ao exercício do mandato, na Ação Penal (AP) 937, segundo a ConJur.
Quem pede a investigação é a PF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) dá parecer, e o ministro relator autoriza. No caso, segundo a Agência Brasil, a PF pediu a investigação, a PGR deu aval e Mendonça incluiu Flávio como investigado. Os crimes citados no pedido da PF são “lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos”. A PF trata essas condutas como possíveis, não como provadas. Segundo a Agência Brasil, Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, também é alvo da investigação.
Os prazos de inquérito no STF são pedidos pela PF e decididos pelo relator, que pode aceitar ou negar a prorrogação. Ao fim do inquérito, a PF envia um relatório final ao STF. A PGR pode pedir o arquivamento ou apresentar denúncia, que é a acusação formal. Se o STF aceitar a denúncia, o investigado passa a ser réu. Só ao fim do processo pode haver condenação ou absolvição.
No pedido de 16 de outubro, a PF diz que ainda precisa concluir a perícia da documentação fiscal, bancária e dos contratos de câmbio da produtora do filme. Ela também cita a análise de mídias apreendidas e a cooperação jurídica internacional para rastrear o dinheiro, segundo a Gazeta do Povo. A PF justifica o pedido por “dúvidas e inconsistências” sobre a origem dos recursos.
O que a investigação aponta
Segundo a PF, citada pelo O Povo, há uma “divergência contábil severa”. Mais de US$ 12 milhões foram enviados ao exterior, e só US$ 2,8 milhões voltaram ao Brasil. Em 16 de novembro de 2025, véspera da prisão de Vorcaro, Flávio escreveu ao banqueiro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”, segundo o SBT News.
A agência de checagem Aos Fatos contou ao menos 43 declarações dele sobre a relação com Vorcaro que classificou como falsas. A contagem é da checagem, não de um tribunal.
Flávio respondeu em duas datas. Em 13 de maio, pela manhã, chamou a história de mentira. À noite, confirmou ter pedido a Vorcaro um patrocínio privado para um filme, segundo a Poder360. Disse que o dinheiro era privado e negou contrapartida ou uso de recursos públicos.
O que diz Flávio Bolsonaro: Em 13 de maio, confirmou o pedido de patrocínio privado, mas negou contrapartida ou uso de dinheiro público. Em 16 de outubro, disse à CNN Brasil que os recursos eram lícitos e privados, que ser senador não deu nenhuma vantagem a Vorcaro. Ele atribui a diferença de valores a um contrato que não foi cumprido.
O inquérito segue aberto, e o pedido de 90 dias aguarda a decisão de Mendonça. Até agora, segundo as reportagens consultadas, não há denúncia da PGR contra Flávio nesse caso. Nada disso foi julgado pela Justiça até agora. As informações vêm da investigação, de reportagens e de declarações do senador. O desfecho depende do relatório da PF e da análise da PGR.
Como fizemos: Usamos a Agência Brasil, a Gazeta do Povo, a ConJur (19/10/2026) e O Povo para o pedido da PF, a ConJur (2018) para o precedente sobre o foro, e reportagens do Intercept, do SBT News, da Poder360 e da CNN Brasil para as falas de Flávio, acessadas em 21 de outubro de 2026. Não há decisão de Mendonça sobre a prorrogação até essa data. As explicações sobre o rito são gerais e não dizem como este caso será conduzido.
Fontes
- Agência Brasil: Mendonça incluiu Flávio Bolsonaro como investigado no caso Dark Horse
- ConJur: PF pede prorrogação de inquérito sobre financiamento do Dark Horse
- O Povo: “Dark Horse”: PF aponta divergência “severa” entre recursos enviados ao exterior
- Intercept: Áudio de Flávio negociou com Vorcaro milhões
- Poder360: Flávio confirma pedido de dinheiro a Vorcaro, mas diz que era privado
- CNN Brasil: Flávio diz que dinheiro de Vorcaro para Dark Horse era lícito e privado
- Gazeta do Povo: PF pede mais 90 dias a Mendonça para investigar caso Dark Horse
- Aos Fatos: Flávio mentiu ao menos 43 vezes sobre envolvimento com Vorcaro
- SBT News: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”
- ConJur: Entenda o julgamento do STF que restringiu o foro por prerrogativa de função (2018)
