PEC da tarifa zero soma 52 sessões de prazo na Câmara

A PEC passa pela CCJC e por uma comissão especial antes do plenário, e o ritmo depende do presidente da Câmara e dos líderes.

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Homem de terno cinza e gravata escura fala ao microfone numa sala de comissão da Câmara, diante de uma placa da Consultoria Legislativa; ao fundo, uma mulher e outras pessoas assistem.
Audiência pública da comissão especial da PEC do fim da escala 6x1, na Câmara dos Deputados, em 26 de maio de 2026 (imagem de arquivo).Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Na quarta-feira (21), o governo enviou ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para a tarifa zero nos fins de semana. Segundo a TMC, a tramitação só deve começar depois do segundo turno, em 25 de outubro.

Uma PEC muda a Constituição. Para valer, precisa de três quintos dos votos em cada Casa, em dois turnos. Na Câmara, são 308 votos em cada turno.

Por onde a PEC entra

As reportagens divergem sobre a casa de entrada. A Agência Brasil diz que a proposta foi “ao Congresso Nacional”, sem citar Câmara nem Senado. O ND Mais, no título, diz “à Câmara”, mas o corpo da notícia não confirma.

Os passos na Câmara

Cada etapa tem prazo em sessões, e só contam as sessões efetivamente realizadas. Essa regra vem da Resolução 7/2015 da Câmara. Se não há sessão, o prazo não avança.

Uma PEC na Câmara soma 52 sessões de prazo, sem contar as votações Prazos regimentais por etapa, em número de sessões

Etapa Prazo Quem controla
Admissibilidade na CCJC até 5 sessões Presidente da CCJC
Comissão especial, para o mérito 40 sessões Presidente da Câmara, que a instala
Emendas na comissão 10 primeiras sessões, com 171 assinaturas Deputados
Intervalo após o parecer 2 sessões Regimento
Primeiro turno no plenário 308 votos Presidente da Câmara
Intervalo entre turnos 5 sessões Acordo de líderes pode encurtar
Segundo turno no plenário 308 votos Presidente da Câmara

Fonte: Congresso em Foco; Gran Cursos (texto do art. 202 do Regimento Interno). Soma e quem controla: elaboração da redação.

A CCJC, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, decide só se a PEC pode seguir. Ela não analisa o mérito. Segundo o Jornal de Brasília, a pergunta é se algum artigo “fere cláusulas pétreas da Constituição”, ou seja, trecho que não pode ser mudado.

O relator da CCJC saiu, na PEC do fim da escala 6x1, de uma reunião entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente da CCJ, Leur Lomanto, segundo o Jornal de Brasília.

Depois da CCJC, o ritmo fica com o presidente da Câmara. Cabe a ele “dar andamento à tramitação e instalar a comissão especial”, segundo o Congresso em Foco. Os líderes podem encurtar o intervalo de cinco sessões entre os turnos.

Quanto tempo sobra

Na semana da eleição, a Câmara não tinha agenda de votações. O fluxo deveria voltar na semana seguinte, segundo o Congresso em Foco de 19 de outubro. O segundo turno é em 25 de outubro, segundo o calendário do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).

A sessão legislativa termina em 22 de dezembro, segundo a Constituição (art. 57). Entre 26 de outubro e 18 de dezembro, há oito semanas de segunda a sexta. Lula espera que a PEC seja votada ainda em 2026, segundo a CNN Brasil.

Pelos prazos da tabela, a PEC soma 52 sessões de prazo. Com o intervalo encurtado por acordo de líderes, a conta cai para 47. As fontes não informam quantas sessões a Câmara fará por semana em novembro e dezembro.

O que diz Hugo Motta, presidente da Câmara: segundo a TMC, ele é favorável à proposta, mas se opõe a que as emendas parlamentares sejam o instrumento de financiamento da iniciativa. A reportagem não traz declaração direta dele sobre o calendário.

O que fica em aberto

Ficam em aberto a casa de entrada, a data de instalação da comissão especial e o acordo entre líderes. Como o prazo conta só sessões realizadas, quem decide quando há sessão também decide quanto tempo a PEC leva.

Se a Câmara aprovar, o texto vai ao Senado, que também vota em dois turnos, com 49 votos em cada um.

Como fizemos: Usamos reportagens da Agência Brasil, do ND Mais, da CNN Brasil e da TMC, de 21 e 22/10/2026, o Congresso em Foco de 19/10/2026, e artigos do Congresso em Foco e do Jornal de Brasília sobre a PEC da 6x1, acessados em 22/10/2026. Os prazos vêm do Congresso em Foco e de um estudo do Gran Cursos que cita o art. 202 do Regimento, porque o PDF oficial não abriu nesta data. A soma de 52 sessões (5 + 40 + 2 + 5) e a versão de 47 são cálculos da redação. As oito semanas são de segunda a sexta, sem descontar feriados. Os 49 senadores vêm de três quintos de 81, arredondado. O texto da PEC não foi lido, e as fontes não informam o número de sessões por semana.

Fontes