Votou pelo fim do 6x1 à distância, em plena campanha

Flávio votou sim nos dois turnos da PEC do fim da escala 6x1, aprovada por 75 a 1, sem estar no plenário: registrou o voto de forma remota.

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O senador Flávio Bolsonaro, de terno escuro e gravata, fala ao microfone da TV Senado em um corredor do Senado Federal.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concede entrevista no Senado Federal em 24 de junho de 2025 (imagem de arquivo).Foto: Carlos Moura / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Na quarta-feira (14), o Senado aprovou o fim da escala 6x1 por 75 votos a 1. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou sim nos dois turnos. Mas não estava no plenário: registrou o voto de forma remota, segundo a Exame.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 acaba com a escala de seis dias de trabalho para um de folga. Foi uma das votações mais importantes do ano para quem trabalha. O candidato do PL à Presidência participou dela à distância, a 11 dias do segundo turno.

O voto conta, e precisa ser dito

Vamos ao que favorece o candidato, porque é verdade. Flávio votou a favor do fim da escala 6x1. O voto remoto é permitido pelas regras do Senado e vale como qualquer outro. No placar, o nome dele está entre os 75.

Só um senador votou contra a PEC. O próprio Flávio admite que primeiro se opôs à proposta e depois mudou de ideia, e o caminho entre uma posição e outra está documentado.

Uma semana de idas e vindas

O voto à distância fecha uma semana de mudanças. No dia 6 de outubro, Flávio era contra a PEC. Defendia a “liberdade” de o trabalhador escolher a própria carga horária, nos moldes da PEC 12/2026, que ele assinou em maio.

Segundo o Intercept Brasil, nesse modelo o salário passaria a ser proporcional às horas trabalhadas. No dia 7, Flávio disse que o fim da escala “não adianta” com todo mundo desempregado, segundo o Metrópoles.

No dia 13, depois de visitar o pai, anunciou que votaria a favor. Pôs, porém, uma condição: o governo teria de “pagar a conta” dos empregadores, segundo a CNN Brasil. No dia 14, o voto saiu, sem que o senador estivesse no plenário.

Um padrão de ausência

O voto remoto do dia 14 não é um episódio isolado. Até 22 de junho, Flávio deixou de votar em 43% das 49 votações nominais do Senado em 2026, segundo levantamento da Folha publicado pelo Estado de Minas. A média da Casa era de 20%.

Votação nominal é aquela em que o painel registra o voto de cada senador, nome por nome. É o tipo de votação que permite ao eleitor saber como votou quem ele elegeu. Faltar a quase metade delas é deixar o eleitor sem resposta em quase metade das vezes.

Procurado pela Folha na época, o gabinete do senador não respondeu, segundo o Estado de Minas. O levantamento cobria o primeiro semestre, antes da fase mais intensa da campanha.

A ausência também aparece em votações antigas e decisivas. Em setembro de 2023, Flávio não votou no marco temporal das terras indígenas, aprovado por 43 a 21, segundo o Congresso em Foco. Era uma das pautas mais cobradas pelo agro no Congresso.

Campanha em primeiro lugar

Ninguém espera que um candidato a presidente fique o tempo todo no plenário. A campanha exige viagens, debates e comícios. Mas é exatamente esse o ponto: Flávio quer trocar o mandato de senador pelo de presidente sem ter dado ao primeiro a presença que a média dos colegas deu.

Em 14 de outubro, a prioridade ficou clara. O tema era a jornada de milhões de trabalhadores, e o senador votou de longe. O voto valeu, mas o recado também.

A condição do “pagar a conta” também segue sem explicação. Quanto custaria compensar os empregadores e de onde sairia o dinheiro? O senador não estava no plenário para debater a proposta com os colegas.

O que fica para o eleitor

O eleitor que acompanha o Senado tem dois registros na mesma semana. Um é o voto favorável, que conta e deve ser reconhecido. O outro é o caminho até ele: contra no dia 6, a favor no dia 14, com uma condição e à distância.

Em 25 de outubro, o eleitor decide se esse é o padrão que quer no Palácio do Planalto. A Presidência não se exerce por voto remoto: é trabalho de todos os dias. O registro de presença do senador é o melhor indicador disponível de como ele trataria o cargo.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele anunciou no dia 13 que votaria pelo fim da escala 6x1, desde que o governo pagasse a conta dos empregadores, segundo a CNN Brasil, e votou sim nos dois turnos. Sobre as faltas de 2026, seu gabinete não respondeu à Folha, segundo o Estado de Minas.

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