A PEC da Blindagem era "sobrevivência", disse Flávio

Em setembro de 2025, Flávio defendeu a PEC que dificultava processos contra parlamentares; a CCJ do Senado a derrubou por 26 votos a 0.

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Painel eletrônico da Comissão de Constituição e Justiça do Senado mostra 26 votos sim, nenhum voto não e a lista de senadores titulares e suplentes.
O painel da CCJ do Senado registra o placar de 26 a 0 na votação do relatório sobre a PEC da Blindagem, em 24 de setembro de 2025.Foto: Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em setembro de 2025, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) resumiu numa palavra sua defesa da PEC da Blindagem: “sobrevivência”. A proposta de emenda à Constituição (PEC) dificultava processos na Justiça contra deputados e senadores. A declaração foi registrada pelo Jornal de Brasília.

No mesmo mês, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado derrubou a proposta por 26 votos a 0. Nenhum dos senadores que votaram ficou do lado dela. A PEC morreu ali, sem chegar ao plenário.

Um placar sem o voto dele

Como a PEC não foi ao plenário, não existe voto de Flávio sobre ela no painel do Senado. O registro que fica é a palavra que ele escolheu. Num jornal que acompanha placares, isso pesa: a única posição pública documentada do candidato sobre a blindagem é a defesa.

A CCJ é a comissão que examina se uma proposta respeita a Constituição antes de ela seguir adiante. Quando rejeita uma PEC por unanimidade, o recado é claro. A ideia não tinha quem votasse por ela.

Para virar regra, uma PEC precisa passar por comissões e pelo plenário da Câmara e do Senado. A da Blindagem parou no primeiro filtro do Senado. Por isso o placar que conta, nesse caso, é o da comissão.

Na mesma fala, segundo o Jornal de Brasília, Flávio também criticou a articulação contra a anistia. As duas pautas apareciam lado a lado no discurso do senador.

O contexto de setembro

Setembro de 2025 foi o mês em que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Jair Bolsonaro por golpe de Estado, entre outros crimes. Flávio reagiu chamando o julgamento de “farsa” e pedindo uma anistia ampla, relatou o Correio Braziliense. Na mesma reação, segundo o jornal, chamou o ministro Alexandre de Moraes de “um psicopata”.

O histórico de quem defendeu

A defesa ganha outro peso diante do histórico do próprio senador. Em 2020, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) o denunciou no caso da rachadinha, com outras 16 pessoas, entre elas o ex-assessor Fabrício Queiroz, segundo a Agência Brasil. As acusações incluíam peculato, que é o desvio de dinheiro público por quem ocupa cargo público, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa.

O caso caiu porque a Justiça anulou provas por questões de procedimento, e não por absolvição. Flávio foi denunciado e nunca julgado. Em 2025, ao rejeitar os últimos recursos, o ministro Gilmar Mendes lembrou que uma nova denúncia segue possível, segundo o Poder360.

Hoje, Flávio é investigado no STF no caso Dark Horse, por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. O caso trata do dinheiro que ele pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para um filme sobre o pai. O inquérito foi aberto pelo ministro André Mendonça em julho de 2026, segundo a Agência Brasil. O pedido partiu da Polícia Federal (PF), com a concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O irmão Eduardo Bolsonaro também é alvo da investigação. Flávio é investigado, não réu.

O plano de governo do candidato também mira o tribunal. Propõe acabar com o poder do STF de julgar diretamente processos criminais de autoridades e limitar decisões individuais dos ministros, relatou o Congresso em Foco. O texto prevê ainda uma quarentena de um ano antes que ministros de governo possam ser indicados à Corte. Quase tudo isso exigiria novas PECs.

O que o eleitor pode conferir

A PEC da Blindagem não passou, e o placar de 26 a 0 mostra que o Senado não a quis. A palavra do candidato, porém, ficou registrada. Quem pede o voto para presidente chamou de “sobrevivência” uma proposta que protegia parlamentares de processos.

Esse mesmo candidato é investigado no STF e quer reduzir o alcance criminal da Corte. Os dois fatos estão documentados, e o eleitor pode ligá-los sozinho. Em 25 de outubro, decide se entrega a Presidência a quem tratou a blindagem como questão de sobrevivência.

O que diz Flávio Bolsonaro: ao defender a proposta, em setembro de 2025, ele a chamou de “sobrevivência”, segundo o Jornal de Brasília. Sobre os processos que enfrenta, sustenta que é alvo de perseguição política; no caso Dark Horse, confirmou ter pedido a Daniel Vorcaro patrocínio privado para um filme e negou ter oferecido contrapartida ou usado dinheiro público, segundo o Poder360.

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