Flávio votou para reduzir as penas do 8 de Janeiro

Flávio votou sim ao PL da dosimetria, aprovado por 48 a 25 no Senado; o texto permite reduzir as penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

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Interior do prédio do Congresso Nacional com estragos da invasão de 8 de janeiro de 2023: objetos quebrados, cadeiras jogadas e vidros estilhaçados.
Estragos no prédio do Congresso Nacional no fim do dia 8 de janeiro de 2023, após a invasão por manifestantes bolsonaristas (imagem de arquivo).Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Senado aprovou em 17 de dezembro de 2025, uma quarta-feira, o projeto que permite reduzir as penas de réus e condenados do 8 de Janeiro. O placar foi de 48 votos a 25, segundo o InfoMoney. Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio desde 2019, votou sim.

O texto é o PL 2.162/2023, conhecido como PL da dosimetria. Dosimetria é o cálculo pelo qual o juiz fixa o tamanho da pena e o regime em que ela será cumprida. Na prática, o projeto permite recalcular para menos as penas dos casos do 8 de janeiro de 2023. Naquele dia, manifestantes invadiram e depredaram o Congresso, o Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF).

O registro interessa agora porque o autor do voto sim disputa a Presidência da República. Flávio é o candidato do PL contra Lula no segundo turno, em 25 de outubro. O eleitor pode conferir o placar de 48 a 25, nome por nome, no registro nominal do Senado. É esse registro, e não o palanque, que mostra como votou quem representou o Rio na Casa desde 2019.

O julgamento do pai

O contexto do voto é o processo por golpe de Estado. Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador, por 4 votos a 1. A pena foi de 27 anos e 3 meses de prisão, por cinco crimes, entre eles golpe de Estado, segundo a CNN Brasil.

Flávio reagiu chamando o julgamento de “farsa” e pedindo anistia ampla, segundo o Correio Braziliense. Na mesma reação, chamou o ministro Alexandre de Moraes de “um psicopata”. A condenação é um fato, com data e placar; a “farsa” é a opinião dele. Ele diz que o processo é perseguição política e defende devolver equilíbrio entre os poderes.

No mesmo mês da condenação, o senador defendeu no Senado a PEC da Blindagem, que protegia parlamentares de processos, como “sobrevivência”, segundo o Jornal de Brasília. A proposta foi rejeitada por unanimidade na comissão de Constituição e Justiça, segundo a Agência Brasil.

O contraste com o dia da invasão é registrado. Em 8 de janeiro de 2023, em grupo de senadores no WhatsApp, Flávio negou qualquer relação do pai com os ataques, segundo o Poder360. Ele disse que os responsáveis deveriam ser punidos e chamou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de “absurdamente parcial”.

Quase três anos depois, em plenário, votou para reduzir as penas de condenados por aqueles atos.

A defesa do senador

A anistia é o eixo da defesa de Flávio. Em agosto deste ano, ele repetiu que o julgamento do pai foi uma “farsa”, segundo a Euronews. Prometeu anistia já na transição de governo e, se a anistia não sair, indulto ao pai. Anistia é lei que apaga a condenação; indulto é ato do presidente que perdoa o cumprimento da pena.

Sobre a dosimetria, o senador guarda uma distância cuidadosa. Em novembro de 2025, afirmou que a anistia é o “objetivo único” da oposição e que não há compromisso com a dosimetria, segundo o O Tempo. Anistia e dosimetria miram, no entanto, o mesmo grupo: quem responde ou foi condenado pelos atos de 8 de janeiro. A diferença está no alcance: a anistia apaga a condenação; a dosimetria reduz a pena.

O que diz Flávio Bolsonaro: em novembro de 2025, o senador disse que a anistia é o “objetivo único” da oposição e que não há compromisso com a dosimetria, segundo o O Tempo. Ele classifica o julgamento do pai como uma “farsa” e sustenta que o ex-presidente é alvo de perseguição política, segundo o Correio Braziliense.

O voto de 17 de dezembro de 2025 está no registro nominal do Senado, nome por nome. Entre o que o candidato diz sobre a dosimetria e o que fez em plenário, o placar fala mais alto. No dia 25, quem quiser julgá-lo pelo histórico não precisará depender de promessas. É o registro com que ele chega ao segundo turno contra Lula.

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