Fim do 6x1 com "o governo pagando a conta": a condição de Flávio

Na véspera de votar sim ao fim da escala 6x1, Flávio condicionou o apoio a que o governo pagasse a conta dos empregadores; a PEC passou por 75 a 1.

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Vista do alto do Plenário do Senado Federal cheio, com parlamentares e convidados nas bancadas e um telão azul ao fundo, durante sessão solene.
O Plenário do Senado Federal na sessão solene que promulgou as Emendas Constitucionais 140 e 141, entre elas a do fim da escala 6x1, em 16 de outubro de 2026.Foto: Saulo Cruz / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No dia 13 de outubro, depois de visitar o pai, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que votaria pelo fim da escala 6x1. Mas pôs uma condição: o governo deveria “pagar a conta” dos empregadores, segundo a CNN Brasil. No dia seguinte, votou sim nos dois turnos.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 acaba com a escala de seis dias de trabalho para um de folga. O Senado a aprovou por 75 votos a 1, e Flávio está entre os 75. Só um senador votou contra.

O voto conta, e a condição também

O voto a favor está no placar e não muda. Negá-lo seria inútil, e esta reportagem não o faz. O que merece exame é a frase que veio junto. Ao apoiar a mudança, o candidato disse que o custo deveria ficar com o governo.

“Governo” aqui não é uma entidade abstrata. É o Orçamento federal, pago com os impostos de todos os brasileiros. Na prática, a condição propõe que o contribuinte compense os empresários pela redução da jornada.

A condição deixa duas perguntas em aberto: quanto isso custaria e de onde sairia o dinheiro. São perguntas que qualquer compensação desse tipo precisa responder antes de virar política pública. Num jornal que acompanha o Congresso, é o tipo de pendência que se cobra.

Oito dias de mudança

A condição chegou ao fim de uma semana de idas e vindas. No dia 6 de outubro, Flávio era contra a PEC. Defendia a “liberdade” de o trabalhador escolher a própria carga horária, na linha da PEC 12/2026, que ele assinou em maio. Segundo o Intercept, nesse modelo o salário passaria a ser proporcional às horas.

No dia 7, disse que o fim da escala “não adianta” com todo mundo desempregado, segundo o Metrópoles. No dia 13, mudou de posição, com a condição de o governo pagar. No dia 14, votou sim, de forma remota, segundo a Exame.

O próprio senador admite o vaivém: diz que primeiro se opôs à PEC e depois mudou de ideia. A condição do dia 13 foi a ponte entre as duas posições.

A conta que já não fechava

A condição pesa mais por causa do programa econômico do candidato. Seu plano promete um “tesouraço” sobre os gastos públicos. A equipe chegou a estudar cortes de cerca de R$ 250 bilhões, segundo reportagem da Folha.

Ao mesmo tempo, Flávio promete comprar dívidas de famílias junto aos bancos, dar aumento real ao salário mínimo e ampliar o Bolsa Família. Agora, soma-se a promessa de bancar o custo do fim do 6x1 para os empresários. Cada item exige dinheiro, e o plano não diz de onde ele viria.

Economistas já duvidavam da conta antes disso. Os ex-dirigentes da área econômica Arminio Fraga e Henrique Meirelles esperam que o candidato evite detalhar o ajuste fiscal, segundo o Jornal de Brasília. O economista heterodoxo Belluzzo avalia que o corte de gastos cairia sobre os mais pobres, segundo o Brazil Economy.

Até um nome cotado para a equipe do próprio candidato, Marcelo Kayath, chamou de inviável um ajuste de R$ 200 bilhões em um ano, segundo o Terra. A condição do 6x1 entra numa conta que nem os aliados conseguem fechar.

O que fica para o eleitor

No dia 16, quando a emenda foi promulgada, Flávio prometeu não reverter o fim da escala se for eleito, segundo o Metrópoles. É uma promessa que o trabalhador vai cobrar.

No mesmo dia, segundo o jornal, dois aliados seguiam defendendo um contrato com pagamento por hora para 2027. Eram o coordenador da campanha, Rogério Marinho, e o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante. A promessa do candidato e a agenda dos aliados andam juntas, e nem sempre na mesma direção.

A outra metade da frase de 13 de outubro, porém, continua sem explicação. Se o governo vai “pagar a conta”, o eleitor tem o direito de saber o valor e quem, no fim, vai pagá-la. Até o dia 25, a pergunta segue no ar.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele anunciou que votaria pelo fim da escala desde que o governo pagasse a conta dos empregadores, segundo a CNN Brasil, e cumpriu o voto no dia seguinte. No dia 16, prometeu não reverter o fim da escala 6x1 se for eleito, segundo o Metrópoles.

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