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Quem falta a quase metade das votações quer comandar o país

Opinião: a direita do mérito não pode premiar um senador que faltou a 43% das votações nominais de 2026 e aprovou duas propostas em sete anos.

Este é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Vigília.

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Painel eletrônico do Plenário do Senado exibe o resultado de uma votação nominal, com 67 votos sim, nenhum não e quórum de 68.
O painel do Plenário do Senado Federal exibe o resultado de uma votação nominal, em 10 de dezembro de 2025 (imagem de arquivo).Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Até 22 de junho de 2026, o Senado fez 49 votações nominais. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou de votar em 43% delas. A média dos colegas foi de 20%, segundo levantamento da Folha publicado pelo Estado de Minas. Procurado, o gabinete do senador não respondeu.

Nós, que defendemos a Lava Jato, a polícia e o agro, sempre cobramos uma coisa da política: trabalho. Cobramos do servidor que não aparece e do político que vive de discurso. A direita brasileira se construiu sobre a ideia de mérito. É por isso que esse número nos diz respeito.

O mérito que a direita prega

Votação nominal é a que registra no painel o voto de cada senador, nome por nome. É o principal instrumento que o eleitor tem para saber como votou quem ele elegeu. Faltar a quase metade delas é deixar o eleitor sem resposta em quase metade das vezes.

O candidato que pede o voto da direita para presidente faltou mais que o dobro da média do Senado. Não se trata de um dia ruim. É um padrão medido ao longo de quase um semestre de votações.

Na vida real, quem falta a 43% dos dias de trabalho não chega a gerente. Não há empresa que promova esse funcionário, nem família que confie a ele as contas da casa. Na política, esse funcionário quer ser o chefe de todos.

E o padrão não começou em 2026. Em setembro de 2023, o Senado votou o marco temporal das terras indígenas, aprovado por 43 a 21. Era uma das pautas mais caras ao agro. Flávio estava ausente, segundo o Congresso em Foco.

O currículo cabe numa linha

Presença não é tudo; produção também conta. Em sete anos de Senado, Flávio assinou 433 proposições como autor ou coautor, segundo levantamento publicado pelo Terra. Só duas propostas de sua autoria foram aprovadas pela Casa. As duas estão paradas na Câmara.

Uma inclui a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) entre as entidades que recebem recursos das loterias. A outra trata da reciclagem de baterias de carros elétricos. São temas legítimos. Mas é pouco para quem quer comandar o país.

Não se trata de dizer que Flávio nunca trabalhou: ele é advogado e foi sócio de uma franquia. O ponto é o registro público do mandato. E esse registro, conferido sessão por sessão, mostra faltas acima da média e produção mínima.

Até no voto mais importante, à distância

Na votação mais importante do ano para os trabalhadores, o fim da escala 6x1, Flávio votou sim. É verdade e precisa ser dito: o voto conta, e ele está entre os 75 que aprovaram a mudança. Mas votou de forma remota, segundo a Exame, em plena campanha.

Uma semana antes, era contra. Mudou de posição depois de visitar o pai, segundo a CNN Brasil, e votou de longe. Quem quer liderar o país precisa estar presente quando o país decide. Quem vota na direita quer ver suas bandeiras defendidas no plenário, e para isso é preciso estar lá.

O voto tático

Ninguém aqui pede que o eleitor de direita goste de Lula. Nós discordamos dele em quase tudo e continuaremos discordando. O argumento é outro, e é tático.

A direita não precisa vencer agora a qualquer preço. Uma direita forte na oposição fiscaliza, bloqueia e se prepara para 2030. E até quem aposta em Flávio tem dúvidas: economistas ouvidos pelo Jornal de Brasília temem que a “pauta da vingança” atrapalhe o ajuste fiscal que o mercado espera dele.

Um governo Flávio, ao contrário, amarra a marca da direita a um senador que falta a quase metade das votações. A direita do mérito não pode ter como vitrine o candidato da herança. Quatro anos de oposição firme valem mais do que quatro anos explicando o próprio candidato.

No dia 25 de outubro, o eleitor de direita tem uma escolha difícil. Pode entregar a bandeira a quem não aparece para votar. Ou pode preservá-la para 2030, com um nome que mereça carregá-la.

O que diz o outro lado: A dianteira de Flávio na disputa gerou no mercado a expectativa de um ajuste fiscal, segundo o Jornal de Brasília; partidos como o Republicanos fecharam apoio a ele no segundo turno, segundo a CNN Brasil. Para muitos eleitores de direita, derrotar o PT importa mais do que o registro de presença do candidato. Sobre as faltas, o gabinete de Flávio não respondeu à Folha.

Fontes