Emenda do fim da 6x1 dispensou sanção: quem promulgou foram as Mesas

A PEC do fim da 6x1 foi promulgada em 16 de outubro sem sanção de Lula. A Constituição manda que as Mesas da Câmara e do Senado façam isso.

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Parlamentares de pé na Mesa do Plenário do Senado, com um busto e uma cruz ao fundo, durante uma sessão solene do Congresso Nacional.
A Mesa do Plenário do Senado durante a sessão solene de promulgação da Emenda Constitucional 84, em 2014 (imagem de arquivo).Foto: Geraldo Magela / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na sexta-feira (16), o Congresso promulgou a Emenda Constitucional (EC) 141, que acaba com a escala 6x1. Na escala 6x1, o trabalhador trabalha seis dias e folga um. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na sessão solene, mas não sancionou nem vetou o texto.

Uma lei comum passa pela caneta do presidente. Uma emenda à Constituição segue outro caminho. Este texto explica esse caminho, usando a PEC da 6x1 como exemplo.

Como a proposta chegou até aqui

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) muda o próprio texto da Constituição, a lei mais alta do país. A PEC 221/2019 foi apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), segundo o Senado. A Câmara aprovou a proposta em 27 de maio de 2026, por 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo, segundo a SBT News.

O Senado votou em 14 de outubro. O placar foi de 75 votos a favor e um contra, nas duas votações, segundo a Agência Senado. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o voto contrário.

Dois turnos e três quintos

A Constituição exige dois turnos de votação em cada Casa. Em cada turno, a PEC precisa de três quintos dos membros de cada Casa, segundo o artigo 60, parágrafo 2º.

Na conta, três quintos de 513 deputados dá 308 votos. Em 81 senadores, a conta dá 49. Esse cálculo é nosso, feito com o número de cadeiras de cada Casa, e bate com os números citados nas reportagens sobre a votação.

Quem assina: as Mesas

O artigo 60, parágrafo 3º, diz que a emenda “será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem”. A Mesa é o grupo que dirige cada Casa, formado pelo presidente e pelos secretários. Quem promulga, portanto, é a direção das duas Casas, e não o Executivo.

A reportagem da Agência Senado diz, na abertura, que o Congresso promulgou as duas emendas. A frase fala em Congresso. Pela Constituição, o ato cabe às duas Mesas, que agem em nome do Congresso. O parágrafo 3º não prevê sanção nem veto nessa etapa.

O que diz o Senado: A Agência Senado informou que “O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16), em sessão solene, duas emendas à Constituição”. Davi Alcolumbre, presidente do Senado e do Congresso, conduziu a sessão, segundo a mesma reportagem.

Projeto de lei: a caneta passa pelo presidente

Um projeto de lei comum é aprovado pela maioria dos votos dos presentes. A sessão precisa ter a maioria absoluta dos membros de cada Casa, ou seja, 257 deputados e 41 senadores, segundo o Glossário de Termos Legislativos do Congresso. Cada Casa vota uma vez.

Depois, o projeto vai ao presidente, que tem 15 dias úteis para sancionar ou vetar. Se ele não se manifestar, o projeto é considerado sancionado. Essa regra está na página do Congresso sobre veto.

PEC e projeto de lei: quem decide e quantos votos Regras da Constituição e do Congresso; números para deputados e senadores

Etapa PEC Projeto de lei
Votos para aprovar Três quintos: 308 deputados e 49 senadores Maioria dos presentes, com 257 deputados e 41 senadores presentes
Votações em cada Casa Dois turnos Uma votação
Papel do presidente Não sanciona nem veta Sanciona ou veta em 15 dias úteis
Veto presidencial Não existe Existe, e o Congresso pode derrubá-lo

Fonte: Constituição Federal, artigos 60 e 66; Glossário de Termos Legislativos e página “Entenda a tramitação do veto”, do Congresso Nacional. Elaboração: redação.

Por que importa: o veto não alcança a PEC

Na prática, a regra da 6x1 não passou pela caneta do presidente. Se o mesmo texto fosse projeto de lei, Lula poderia vetá-lo, no todo ou em parte. Como é PEC, essa etapa não existe.

O calendário aprovado mostra o efeito. Pela Agência Senado, a jornada máxima cai para 42 horas semanais 60 dias após a publicação. Um ano depois desse prazo, chega a 40 horas, cerca de 14 meses após a publicação.

O que diz o Senado: Segundo a Agência Senado, a jornada cai para 42 horas “daqui a 60 dias”, e o limite de 40 horas chega um ano depois desse prazo, “14 meses após a publicação”.

Se a contagem começar em 16 de outubro, data da promulgação, a primeira etapa cairia em 15 de dezembro. Esse cálculo é nosso. O prazo oficial corre da publicação no Diário Oficial da União (DOU).

O que fica em aberto

A data exata de cada etapa depende da publicação oficial da emenda. Reportagens divergem sobre o início da primeira etapa, e o texto publicado no DOU deve ser a referência. Para a regra da 6x1, a Constituição dispensou a sanção, e a contagem dos prazos passa a ser o próximo passo.

Como fizemos: Usamos a Constituição (artigo 60), o Glossário de Termos Legislativos e a página do Congresso sobre veto, além de reportagens da Agência Senado e da SBT News e a tramitação da PEC 221/2019 no Senado, acessados em 22/10/2026. Calculamos três quintos de 513 deputados (308) e de 81 senadores (49), a maioria absoluta (257 e 41) e a data 60 dias após 16 de outubro (15 de dezembro). Não lemos o texto publicado da EC 141 no DOU, e o texto da Constituição foi conferido em um espelho, porque o site do Planalto não respondeu na consulta.

Fontes